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Shangri-Lá – o horizonte perdido (e encontrado pelos chineses)

Quem aqui já ouviu falar do livro/filme Lost Horizon? Ou, para quem é da minha geração, a música da Rita Lee, onde ela diz que vai fugir para Shangri-la? Pois é… esse horizonte perdido, o paraíso que daria vida eterna numa montanha distante da China, me inspirou para ir visitar esse local.

E assim, depois de uma paradinha estratégica, volto com os detalhes da nossa viagem pela província de Yunnan. Para quem chegou agora, os primeiros artigos estão linkados no final desse post, desde o roteiro inicial, até os detalhes de cada cidade que passamos. Shangri-La foi nossa terceira parada e tem muita história para contar, principalmente sobre a lenda que envolve esse lugar tão lindo e cheio de mistérios.

Horizonte perdido

Dentro da literatura, Shangri-La é um lugar fictício, descrito no romance de James Hilton,  Lost Horizon (Horizonte Perdido) de 1933. Hilton descreve Shangri-La como um vale místico e harmonioso, situado no extremo oeste das Montanhas Kunlun. Shangri-La tornou-se sinônimo de qualquer paraíso terrestre, e particularmente uma utopia mítica do Himalaia – uma terra permanentemente feliz, isolada do mundo exterior. No romance, Hugh Conway, um membro veterano do serviço diplomático britânico, encontra paz interior, amor e sensação de propósito em Shangri-La, cujos habitantes desfrutam de longevidade eterna. Dizem que ele se inspirou, pelo menos em parte, em relatos de viagens nas fronteiras tibetanas, publicado em National Geographic pelo explorador e botânico Joseph Rock. As comunidades remotas que visitou, como Muli, mostram muitas semelhanças com o Shangri-La ficcional.

 

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Uma das várias capas do livro que encontrei no Google.

 

Há uma excelente resenha desse livro no blog Porão H, só clicar.

Na música, década de 1980, Rita Lee fez sucesso com Shangrilá, nos inspirando a fugir para esse paraíso, e se ‘deixar levar por um beijo eterno…’, já que, baseado no romance Lost Horizon, as pessoas viviam para sempre!

E assim surge Shangri Lá…

Na época que Rita Lee cantava esses versos e fazia uma geração de adolescentes sonhar com o paraíso e, mais ainda,  na época que Hilton escreveu seu romance, Shangri La era um lugar tão utópico como sua poesia nos fazia imaginar…

Só que… dizem que Hilton se baseou em relatos reais veiculados pela National Geographic. Então o lugar existe de fato, e é localizado na China, na província de Yunnan, com fronteira entre o Tibet e a província de Sichuan.

Pensem: seu país ter um paraíso na terra, descrito em forma de verso e prosa, e ninguém tentar tornar esse local real? Os chineses devem ter pensado nisso… e foi assim que Shangri Lá – 香格里拉 surgiu no mapa em dezembro de 2014, como uma cidade. Em dezembro de 2001 o antigo município de Zhongdian – 中甸 县, já estava sendo chamado de Shangri Lá, num esforço do governo chinês para promover o turismo na região.

Mais uma curiosidade é que a população tibetana referia-se a este lugar pelo seu nome tradicional Gyalthang ou Gyaitang , que significa “planícies reais”. Este nome antigo se reflete no nome tibetano da cidade de Jiantang (建 塘; Jiàntáng), a sede do condado.

Em tibetano, Shangri-Lá significa “o sol e a lua no coração”, uma casa ideal apenas encontrada no céu. Lá as montanhas nevadas altas e contínuas, pastagens sem fim, desfiladeiros íngremes, grandes lagos azuis e as aldeias bucólicas sempre deixam uma profunda impressão nos visitantes. Como diz um ditado chinês: “O primeiro nascer do sol é visto em Shangri-La, e o lugar mais singular também está lá”. Só conhecendo o lugar ao vivo, que se entende o significado desta afirmação. Acreditem!

O incêndio

No início da manhã de 11 de janeiro de 2014, um incêndio surgiu no bairro tibetano Dukezong, que tinha mais de mil anos. Cerca de 242 casas e lojas foram destruídas e 2.600 residentes foram deslocados. Metade da cidade velha foi destruída pelo fogo, metade foi poupada. Após o incêndio, os residentes foram autorizados a voltar às suas casas e lojas. No final de 2014, a reconstrução começou e o turismo voltou com mais força, apesar de não ter sido afetado diretamente pelo fogo, já que os principais pontos turísticos da cidade, como a roda de oração e os templos, não foram danificados.

Nosso Roteiro

Saímos de Shaxi após o café da manhã, e fizemos uma longa viagem de carro até Shangri Lá. Foram cerca de 4 horas, por ótimas estradas e com alguns pontos muito bonitos de se ver. Essa região fica a cerca de 3500 metros acima do nível do mar, o que já dificulta bastante a respiração (com isso estou repensando minha visita ao Tibet).

Tudo lá foi feito num ritmo mais lento, mais paradas. Um trajeto a pé e com escadas (bastante comuns nos templos) nos exigia muito mais esforço e várias paradas. A primeira escadaria que subi, nem me atentei a esse detalhe e quase morri (rs), senti realmente meu coração pular para fora do peito e a horrível sensação de não conseguir trazer o ar para os pulmões. Esse foi o sinal de alerta, e à partir daí, ficamos mais atentas e lentas. Assim tudo foi possível.

Nosso hotel ficava situado perto do Guishan Park, onde tem um templo com a maior Roda de Oração do mundo, numa área que não foi atingida pelo incêndio.

Como já escrevi nos outros artigos dessa viagem, mais uma vez fomos surpreendidas por um hotel maravilhoso, que recomendo sem medo. Serviço impecável, quarto super confortável e a decoração dentro do estilo tibetano – Arro Khampa Shangri-La.

Ficamos na cidade duas noites e nosso roteiro incluiu a visita aos templos budistas do Guishan Park e o Songzanlin Monastery (também conhecido como o Potala Palace de Yunnan), ao Napa Lake e também andamos (a passos lentos) pela cidade velha, onde descobrimos coisas bem interessantes como uma escola/museu de Thangka, uma técnica de pintura que já havia visto na China, mas não sabia nada sobre seus detalhes.

No próximo post, vou escrever um pouco mais e colocar mais fotos desses lugares, pois são lindos demais e merecem destaque.

Vale lembrar que em muitos mapas e no meu aplicativo de previsão do tempo, não aparece Shangri-La, mas sim Deqe como o nome da cidade/condado.

Culinária local

Nessa região conheci o Yak, uma espécie de boi/búfalo, mais encorpado e peludo, e toda a carne consumida aqui é de yak – desde o bife até o hamburger. Também há queijos feitos com o leite do animal. A carne é mais forte e gordurosa, ideal para um local em que a temperatura média anual é de 15°C.

Além da carne de Yak, também saboreamos um delicioso hot-pot, comum nessa região, apesar de ser encontrado em toda a China, com variações da culinária local. Em alguns lugares é mais apimentado, em outros há mais verduras e legumes, e assim vai. Para facilitar o entendimento, é parecido com nosso founde, mas dentro das panelinhas (que podem ser comunitárias ou individuais), água temperada, onde cozinhamos a comida que está disposta em travessas.

Espero que tenham gostado desse paraíso perdido e redescoberto na China. A história é bem interessante, não é?

E aqui são os demais links do nosso roteiro por Yunnan:

Descobrindo Yunnan – a província mais colorida da China

Dali – o início da viagem a Yunnan

Zhoucheng – A tradição da tintura indigo

Dali – O que visitar nessa cidade

Shaxi – uma vila tipicamente chinesa

Zái Jiàn!

 

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7 pensamentos sobre “Shangri-Lá – o horizonte perdido (e encontrado pelos chineses)

  1. Pingback: Lijiang – último destino na viagem a Yunnan | China na minha vida

  2. Pingback: Turismo em Shangri La – Yunnan | China na minha vida

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