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Dali – o ínicio da viagem à Yunnan

E vamos começar a descrever o ponto a ponto da nossa viagem por Yunnan. Como já escrevi no artigo anterior, dando uma ‘geral’ do nosso roteiro de uma semana em Yunnan, chegamos na província por Dali, vindo de Shanghai. Um voo direto de aproximadamente 4 horas.

Era final da tarde, mas por conta da China ter somente um fuso horário e ser um país tão grande, ainda foi possível aproveitar o entardecer. O por do sol era por volta das 19:00, coisa que em Shanghai, nessa época do ano, acontece as 17:30.

Fomos direto para a Cidade Velha (Dali Old Town), também chamada de Gucheng, pois lá ficava nosso hotel. Nos hospedamos no ‘Oasis · The Secret Luxury Hotel’, super bem localizado na rua principal do vilarejo, onde pudemos caminhar bastante entre lojas, bares e restaurantes locais e internacionais.

 

Bom, sobre hotéis em Yunnan, resolvi fazer um artigo somente sobre o tema quando terminar de relatar a viagem, já que fui surpreedida por hotéis/guest houses maravilhosos em todas as cidades que visitei, o que mudou um pouco meus critérios de escolha para hotéis na China.

A cidade

Dali é um dos pontos mais populares para viajantes no sul da China. Fica a 4 horas de carro de Kunming (capital de Yunnan), é considerada um lugar perfeito para relaxar no sul da China.

Dali, hoje, está dividida em ‘Dali New City’ (下 关, Xiàguān) e ‘Dali Old Town’ (古城, Gǔchéng), onde ficamos. Gucheng, a cidade velha, tem uma população de apenas 40 mil habitantes, mas Dali, como um todo, possui cerca de 3 milhões.

É bom ficar claro que Xiaguan (a cidade nova) é o ponto de chegada em “Dali”, mas é uma cidade chinesa industrial padrão. Para turismo o ideal é ir direto para Gucheng, famosa por sua arquitetura tradicional, e as dezenas de vilarejos que circundam a cidade de Dali, além do lago Erhai (imenso, por sinal) e a colorida mistura de várias etnias minoritárias da China (Bai é a principal, mas também podemos encontrar as pessoas de Yi e Hui).

Apesar da antiga fama de Dali como um paraíso para mochileiros desde o final dos anos 90, os estrangeiros agora são superados, em número, por turistas chineses. Mesmo assim, por toda Yunnan, nos deparamos com muitos turistas franceses, em todos os locais que fomos, mas realmente os chineses eram o grosso do turismo nessa região.

A arquitetura da região também me deixou encantada, as casas na sua maioria são brancas com várias pinturas em azul. Elas seguem o estilo dos telhados e portas chinesas, mas tem seu charme especial.

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Um pouco da história

Dali tem uma longa e gloriosa história. Há 4000 anos, os antepassados ​​do povo Bai se estabeleceram nesta área. No século 2 dC, foi trazida para o território do governo central da Dinastia Han (206 aC-220AD). Teve dois estados étnicos, o estado de Nanzhao (738-937) na dinastia Tang (618-907), e o estado de Dali (937-1253) na Dinastia Song (960-1279). O Reino de Nanzhao cobriu uma grande área de Yunnan e do norte da Birmânia e partes de Sichuan e Guizhou. O reino sobreviveu quase 200 anos e teve 13 reis antes de colapsar. Após várias décadas de caos, o Reino de Dali emergiu em 937, estabelecido por Duan Siping, foi controlado pelo clã Duan e sobreviveu até ser conquistado pelos mongóis no século 12. O Reino manteve uma estreita aliança com a Dinastia Tang e foi um dos principais pontos de trânsito para a introdução do budismo em todo o resto da China. Em 1000, Dali era uma das 13 maiores cidades do mundo.

Ao longo de todos esses anos, permaneceu uma área intermediária ligando as comunicações econômicas e culturais entre a China antiga e outros países através da Índia. Os restos da Cidade TaiHe e da Dali Ancient Town testemunham milhares de anos de mudanças históricas, juntamente com o povoado de Xizhou e de Zhoucheng, essas vilas antigas ao redor mostram o melhor dos costumes históricos da vida cotidiana dentro da minoria Bai.

Esses eventos históricos são imortalizados na literatura de artes marciais do autor de Hong Kong, Jin Yong (lido por todos os alunos da escola chinesa), dando a Dali uma fama em todo o país. Tanto o Reino de Nanzhao quanto o Reino de Dalí tiveram uma aliança militar com a Dinastia Tang contra o Império Turfan (Tibetano) que fez incursões regulares em seus respectivos territórios.

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Os mongóis destruíram a antiga capital e o palácio do Reino de Dali, localizado ao sul dos “Três Pagodas” (que visitamos). Quase todos os registros dos reinos de Nanzhao e Dali foram destruídos, deixando um vácuo sobre a história desses períodos. Além disso, os mongóis deslocaram brutalmente muitos dos habitantes da cidade, com o resultado de que a minoria Bai foi forçada a migrar para a Província de Hunan.

A antiga cidade de Dali foi reconstruída no início dos anos 1400 pelo Dinastia Ming, e é o que vemos hoje em Gucheng.

As minorias étnicas habitaram esta área por gerações, com a minoria Bai constituindo a maioria de sua população (65%). Os costumes das minorias étnicas trazem charme para a vida diária. Cada entrada da primavera há celebrações e festivais que trazem vida à cidade. Nossa visita foi no outono, não haviam festas. Mas o colorido das ruas, das pessoas, dos trajes típicos ainda usados, são uma visão encantadora.

O que visitamos

Ficamos duas noites em Dali. E, só para lembrar, estávamos com o guia Kewen Wu, com um carro a disposição, o que facilitou nosso deslocamento pela cidade e vilarejos.

Basicamente, contornamos o Lago Ehai quando chegamos, já que o aeroporto ficava do lado oposto do lago. Depois que chegamos ao hotel, jantamos num restaurante local e fomos caminhar pela rua principal de Gucheng, a cidade velha.

No dia seguinte, visitamos as 3 pagodas, o vilarejo de Guizhou e  Zhoucheng, o local onde fazem os maravilhosos tecidos tingidos em azul e branco (tie-dye), típicos dessa região. Se bem que hoje em dia, encontramos alguns vermelhos, laranja e verdes, mas o forte desse trabalho ainda é o azul.

Coisas interessantes

Em matéria de compras (que não é o meu forte em viagens) vimos muitas coisas interessantes, além dos tecidos tingidos – meus prediletos. Há uma série de produtos locais para quem gosta de levar para casa um pouco do lugar que visitou.

Peças de mármore, madeira e chifre de boi são comuns nessa região, além de artefatos de couro – bolsas e carteiras muito bonitas. Os tambores coloridos também são um artesanato presente em todos os lugares.

Vimos muitas lojas de bijouteria e jóias em prata, de muito bom gosto e com design bem arrojado. Realmente peças lindas.

Na realidade achamos Dali um pouco hippie, as pessoas mais descoladas, muitos artistas (músicos, designers, artesãos). As lojas também nos surpreenderam.

Na parte de alimentação, como iguaria local, há o chá comprimido ‘Tua Cha’, os bolos de flores, na sua maioria recheados com rosas (eu não gosto, mas as lojas estavam cheias), o vinho branco local, que é diferente do Baijiu, as frutas cristalizadas.

Comidas e afins

Não sou uma pessoa que gosta de pimenta, então pedimos sempre que os pratos fossem moderados nesse quesito. A culinária local é a base de carne de porco, frango, legumes e verduras frescas, muita fruta e sucos. Não tivemos problemas com alimentação nessa região, e as barrinhas de cereal que sempre levo ‘para garantir’, só usamos mesmo como ‘snacks’ nas viagens de carro, que foram longas.

Em Dali, da parte de comida de rua, provamos o baba, uma espécie de pão recheado com algo doce, acredito que seja feijão, mas o sabor final era bem gostoso. Também comemos o mesmo ‘pão’ salgado, e não decepcionou.

Agora me apaixonei mesmo foi pelo suco de romã que bebemos durante toda a viagem, bem famoso nessa região. Feito na hora, sem açucar ou água. Hummm, só de lembrar…

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Esse foi um resumão dos nossos dias em Dali. No próximo vou falar um pouco de cada ponto turístico que visitamos nessa cidade.

Continue nos acompanhando, que tem muita coisa interessante para contar!

Zài Jián!

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3 pensamentos sobre “Dali – o ínicio da viagem à Yunnan

  1. Pingback: Zhoucheng – A tradição da tintura indigo | China na minha vida

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