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Lijiang – último destino na viagem a Yunnan

E parece que esses sete dias de viagem não terminam nunca, não é mesmo? Só que a quantidade de informação, a riqueza étnica e cultural dessa região, não nos deixa outra opção além de relatar o máximo possível do que vimos em Yunnan.

Tenho certeza, que muita coisa ainda ficou de fora nesses relatos, mas é impossível se ater a cada detalhe. Essa é uma outra viagem no mesmo padrão de Harbin (o local do festival de gelo): por mais lindas que as fotos possam parecer, por mais minucioso que seja o texto falando sobre o local, nada, jamais, será o mesmo que ir lá e ver tudo pessoalmente.

E assim saímos de Shangri-la com destino a Lijiang, após nosso café da manhã, acompanhadas do nosso fiel escudeiro Kewen.

Tiger Leaping Gorge

Nosso caminho, um pouco tortuoso, incluía a passagem pelo “Tiger Leaping Gorge” que, de antemão, já digo que não vale o sacrifício. Ainda estávamos na região de Shangri-la, em altas altitudes, e para se chegar ao ponto principal, o ‘pulo do tigre’, tivemos que descer muitas escadas. Como diz o ditado: para descer todo santo ajuda, não é mesmo?

Chegando lá a vista era ok, a tal curva do tigre interessante, mas nada de excepcional. Demos o check in na nossa lista de lugares a visitar. E aí que lembramos que tínhamos que subir tudo aqui… Para descer não reparamos o quão íngreme eram as escada, apesar de largas e bem estruturadas. Lembrando que a altitude ainda nos causava o cansaço absurdo e a sensação horrível de não conseguir respirar. Não, completamente diferente das escadas de Shangri-la, que quase nos matou, mas nos proporcionaram uma visão mágica, essa não valeu à pena.

Agora, um outro fator que temos que considerar, era que o tempo estava cinza, chuvoso, e mais frio e úmido do que havíamos sentido até então. Isso, com certeza, colaborou para esse sentimento de tempo e esforço em vão numa viagem. A nossa expectativa também era grande, afinal com esse nome pomposo – desfiladeiro do tigre, em tradução livre – acho que fomos com muita sede ao pote!

Sobre o local

Tiger Leaping Gorge ou Hutiao Gorge, é uma das gargantas mais profundas do mundo. Naturalmente dividido em três seções: a primeira é mais estreita e mais alta, a boca do rio Jingsha, de fluxo rápido. No meio da boca do rio (segunda seção) está uma grande rocha posicionada na parte mais estreita do desfiladeiro (terceira seção), apenas 30 metros de largura e 15 quilometros de extensão.

Uma antiga lenda diz que um tigre usou essa rocha como pisada para que ele pudesse pular de um lado do desfiladeiro para o outro, e é assim que o lugar tem seu nome.

A caminho de Lijiang

Depois dessa parada não muito excitante, almoçamos num restaurante de beira de estrada mesmo, muito simples, mas a comida estava deliciosa. São essas coisas que nos dão certeza que vale a pena ter um guia local. Jamais entraríamos nesse restaurante, se não fosse com o ‘aval’ dele.

Chegamos ao nosso hotel por volta das 17:00, foi um dia bem cansativo, muitas horas dentro do carro e nossa aventura pelo Tiger Leaping Gorge para completar.

Mais uma vez, fomos surpreendidas pela qualidade do hotel, no meio da Shuhe Old Town, cidade velha. Ficamos no The Bivou, um hotel boutique super charmoso, que recomendo sem medo.

Como disse antes, nessa parte da viagem, e onde teríamos mais ‘atrações’ programadas para visitar, o tempo nos pregou uma peça. Pegamos chuva todos os dois dias em Lijiang e, sinceramente, isso nos frustrou muito, pois todos os lugares que visitamos foram afetados pelo mal tempo, e aproveitamos bem menos do que deveríamos.

Uma boa desculpa para voltar e ver tudo com céu azul, não é?

A cidade

Lijiang tem uma história de mais de 1.000 anos e já foi uma confluência para o comércio ao longo da trilha das caravanas a cavalo na rota do chá, que contribuiu de forma significativa para a comunicação comercial e cultural entre províncias do Tibete, Sichuan e Yunnan.

A cultura de Lijiang combina cultura tradicional da minoria étnica Naxi e elementos incongruentes aprendidos com a dinastia Ming.

O Grande Lijiang (incluindo Dayan e duas aldeias ao norte, chamadas Baisha 白沙 e Shuhe 束 河, respectivamente) foi registrado na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 4 de dezembro de 1997. Desde então, o governo local assumiu mais responsabilidade pelo desenvolvimento e proteção da cidade velha. O turismo de Lijiang aumentou nos últimos vinte anos, e os viajantes de todo o mundo visitam, embora a maioria dos turistas ainda sejam chineses de outras partes da China. Além dos chineses, encontramos muitos grupos de franceses em todo nosso roteiro.

Shuhe

Logo que chegamos, fomos caminhar um pouco, até porque queríamos esticar as pernas, literalmente. E, apesar da chuva, que grata surpresa!

Como Shaxi, tudo ali era mágico, lindo e cheio dos detalhes da arquitetura e cultura chinesa, que tanto me encantam.

A 4 km ao noroeste da Cidade Velha de Lijiang, ao pé da Montanha do Dragão de Jade, fica a aldeia compacta escondida na floresta, Shuhe. A UNESCO listou Shuhe como um componente importante de Lijiang, pois é um exemplo bem preservado de uma cidade ao longo da antiga rota de chá e um dos primeiros assentamentos dos antepassados ​​do povo Naxi. É chamado de “cidade natal das nascentes”.

A ponte de Qinglong, construída com pedras, medindo cerca de 25 metros de comprimento, foi construída durante a dinastia Ming (1368-1644). Entre as inúmeras pontes de pedra antigas em Lijiang, é considerada como “a primeira”.

Foi nessa vila que tomei o melhor suco de romã da vida! Feito na hora e uma garrafinha completa de suco natural, sem água, sem nada mais além da fruta. Deu uma saudade agora…

Baisha白沙

Se você quer testemunhar a vida autêntica do povo Naxi e apreciar a sua cultura, mas está cansado de Lijiang e Shuhe, Baisha é o lugar certo. A aldeia, que também fica ao pé da Montanha do Dragão de Jade, mas a 8 km ao norte da Cidade Velha de Lijiang, é muito mais silenciosa e primitiva, pois o turismo não chegou até ali. Nela se pode experimentar a pacífica vida diária do povo Naxi.

Baisha costumava ser um assentamento Naxi e o local de nascimento dos governadores locais da família Mu. Foi o centro político, econômico e cultural de Lijiang antes da Dinastia Ming (1368 – 1644). Sua construção começou durante a Dinastia Tang (618 – 907) e tornou-se próspera durante as Dinastias Song (960 – 1279) e Yuan (1271 – 1368). Da dinastia Ming, os governadores mudaram suas famílias para Dayan (a atual cidade antiga de Lijiang), mas ainda construíram templos na vila de Baisha, tornando esta vila um centro religioso durante a dinastia Ming. Os palácios existentes Dabaoji, Liuli e Wenchang e até mesmo as famosas muralhas Baisha foram concluídas durante esse período.

Em se falando de arte e artesanato local, visitamos a pequena escola local de bordados da Família Mu.

Foi meio dia de caminhada entre as ruelas dessa vila, onde as pessoas ainda te param para tirar uma foto e se pode apreciar a vida calma do interior: crianças correndo, idosos sentados nas calçadas esperando o tempo passar ou observando alguns turistas curiosos como nós, que rompemos o roteiro comum para os viajantes que chegam a Lijiang.

E ainda tem mais

No próximo artigo vou escrever sobre as atrações turísticas que visitamos. Foi o único local dentro do nosso destino que tinham várias atrações para turistas, com todo o esquema de filas, tickets e alguns micos… mas como viajar sem eles, não é mesmo?

Continuem acompanhando essa viagem e não deixe de ler os artigos anteriores que contam sobre nosso roteiro, Dali, Shaxi e Shangri-La.

Zái Jiàn!

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