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Fim da lei do filho único na China.

Um dos tópicos mais polêmicos que temos quando falamos de China, é a questão do filho único. Na realidade era. Desde do ano passado (29 de outubro) a nova lei foi aprovada e passou a vigorar dia 1°  de janeiro de 2016. Os chineses agora podem ter o segundo filho.

Como começou

A lei do filho único foi imposta pelo governo em final de 1979 para conter o crescimento vertiginoso da população chinesa. E mesmo com isso, a China hoje tem cerca 1.4 bilhões de habitantes. Há estudos que, sem a lei, essa população poderia estar beirando os 2 bilhões, mas isso é só uma projeção do que poderia ter ocorrido.

Mesmo assim, a lei protegia as 55 minorias étnicas, que poderiam ter mais de um filho, com o intuito de não extinguir o grupo. E isso é fácil de entender pelos números percentuais de cada etnia no total da população chinesa.

Nas zonas rurais, os casais que tivessem a primeiro filho do sexo feminino, também poderiam tentar o segundo. Já disse que cultura é cultura e para essas famílias ter um filho homem era primordial.

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Photo from pixabay.com

As mudanças

Desde 2008, com denúncias de abortos forçados, além do rápido envelhecimento da população, o Governo começa a pensar em medidas para adaptar a lei à realidade da nova China. Apesar de enfatizar que a lei contribuiu para o desenvolvimento do país e para a saída da pobreza de mais de 400 milhões de pessoas desde sua implementação.

Desde 2013, as famílias das grandes cidades, onde o casal eram filhos únicos, poderiam ter o segundo filho. O fato foi que do total de casais aptos a terem a segunda gravidez, somente 30% se interessaram em ter o segundo filho.

Na China moderna, diferente da época em que a lei foi promulgada, os filhos dão despesas grandes e o governo não consegue suprir todas as necessidades da população como no passado. Por outro lado, devido a sociedade de consumo ter sido despertada por aqui, as exigências para se criar um filho em termos de qualidade de vida, educação e saúde, também mudaram muito. Encareceram.

Isso fez com que muitos casais que poderiam ter o segundo filho, optassem por ficar com um só e suprir todas as necessidades que eles consideram essenciais para o futuro daquela criança.

A solução foi abrir o leque, permitindo assim que todos os casais possam ter até 2 filhos.

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Photo from pixabay.com

Mas as marcas ficaram

Toda a ação tem uma reação. É a lei do universo. E com esse tópico não seria diferente. A lei do filho único gerou polêmica, pais desesperados, mães desoladas, mas no final todos aceitaram a realidade para o bem geral da nação.

Só que com isso, os chineses ficaram com uma imagem de serem frios, abortar com extrema facilidade, não se importar com a vida. O que não é bem assim: realmente o aborto é um ato quase banal aqui, qualquer hospital faz, mas o ato em si, não é tão simples como o ocidente retrata. No livro da Xinran, ‘Mensagem de uma mãe desconhecida’, fica bem claro como as pessoas tentavam de alguma forma contornar a situação para não ter que abortar ou o quanto ficavam marcadas pelo fato de não ter tido escolhas. São depoimentos marcantes que mostram claramente que todos somos seres humanos, independente de raça ou cor. Sim, existem pessoas de má índole e boa índole, mas isso em qualquer lugar desse mundo.

Uma outra situação bem marcante, recorrente da lei do filho único, são dos pais que perderam seus filhos únicos por alguma doença ou fatalidade, e para eles não teve o consolo de um outro abraço. A marca que isso deixou jamais, ninguém poderá tirar. Recebi o link de uma matéria sobre o tema, que você pode ler aqui. E me despertou o sentimento que muitas famílias não esperavam por esse tipo de fatalidade quando receberam nos braços seu amado filho único.

Em contrapartida, essa geração que hoje está na faixa dos 20/25 anos, foi tão mimada, tão protegida que criaram um fenômeno chamado de ‘geração dos pequenos imperadores’. Filhos únicos, criados por 6 adultos (pais e 4 avós), que não poupavam esforços e cuidados para que tudo fosse perfeito para aquela criança. Com o enriquecimento da população chinesa, pode-se dizer que o modelo foi a perfeição exagerada e uma geração de jovens mimados e arrogantes. Também vale ressaltar, que isso pode acontecer em qualquer lugar do mundo: filhos mal criados não é um privilégio da China. Mas, devido a peculiaridade da falta de possibilidades de dividir esse ‘amor’, a atitude da família fica bem mais intensa.

Agora é esperar

Sim, agora é esperar para ver como os casais vão reagir a essa nova possibilidade. Se vão aderir à proposta do governo e aumentar um pouco mais a população chinesa (OMG!). Claro que a situação do país é completamente outra em relação a 1980. Hoje o padrão de vida melhorou demais, o país tem uma nova perspectiva de vida e eles estão ganhando o mundo, literalmente.

No final, as coisas acontecem ao seu tempo. E mesmo havendo muitas críticas à lei inicial, os estudiosos concordam que o crescimento da China não teria sido tão grande sem essa medida.

Mas como escrevi acima: ação e reação. Que leva a outra ação, que trará uma nova reação futura. E assim caminha a humanidade!

Zái Jián!

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9 pensamentos sobre “Fim da lei do filho único na China.

  1. Pingback: Livro: Compre-me o Céu – A incrível verdade sobre as gerações de filhos únicos na China | China na minha vida

  2. Oieeee…q boa notícia!
    Desde criança(fui criada por muitos adultos…rsrsrs)sempre ouvia dizer: quem tem um filho não tem nenhum…
    Concordo e discordo…tendo um vc pode dar boa educação etc….mas com 2 “ou mais” vc divide tudo, educação,carinho etc…
    Dependendo da renda familiar ter a segunda opção, sacrifica ambos, mas por outro lado
    é muito difícil ter um só como vc disse, criado por 6 adultos (4 avós e os pais).
    Geralmente, é difícil todos eles concordarem com o tipo de limites(em todas áreas) q toda criança deve ter…e criam “verdadeiros imperadores” como se diz na China.
    Bjs

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      • Verdade….é incrível ver crianças enfrentado os adultos, nos restaurantes não obedecem e incomodam todo mundo(lógico q sei q criança é criança, mas se forem bem orientadas, sabem se portar em qquer lugar, mas não é bem isso q se vê)
        citei restaurante pq é bem mais visível, mas em muitos lugares acontece o mesmo….dizem q é pq estão nascendo mais inteligentes então, seria melhor aproveitar isso e mostrar como se comportar em qquer lugar.
        Bjs
        PS: Tvz o comentário seja pq hj na minha frente na fila do supermercado, uma garotinha q não tinha mais q 4 anos, fez barbaridades…até garrafa de vinho jogou no chão…os pais, nem ai!!! continuaram passando suas compras como se fosse normal as pessoas se desviarem do chão molhado e um funcionário recolhendo os cacos….é grave isso.

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