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Livro: A amante do Governador (sobre Macau)

Quem me conhece sabe que sou uma apaixonada por livros que retratam a história. Romances que são embasados em fatos reais, em especial que nos levem a conhecer um pouco de outros tempos, tão difíceis de entender por certas vezes, são meus preferidos.

É através deles que me remeto ao passado e consigo entender algumas das implicações que aqueles acontecimentos trouxeram ao presente. Com esses livros, viajo no tempo. E o melhor de tudo é quando podemos visitar locais que foram retratados na narrativa. Parece que nossa imaginação voa e tudo ganha vida.

E assim me deparei com esse livro de José Rodrigues dos Santos, sobre Macau. Confesso que comprei por impulso, pela capa (sim, sou dessas que compra livro pela capa) e por curiosidade de saber mais sobre essa colônia portuguesa no oriente, que hoje está na fase de transição da devolução do seu território à China.

Mas vamos ao que interessa: o livro.

Ainda bem que colocaram a sobrecapa, bem mais atrativa!

Sinopse (editora Gradiva)

Depois de atacarem Pearl Harbour e invadirem Hong Kong, os japoneses cercam Macau. Com o inimigo às portas, o novo governador, Artur Teixeira, tem de enfrentar a maior crise do império português na Segunda Guerra Mundial. Diante dele está o coronel Sawa, o violento chefe do Kempeitai que ameaça invadir a colónia portuguesa na China.

Para salvar Macau, o governador conta apenas com o seu engenho. E a ajuda de um punhado de homens e mulheres, incluindo a própria concubina do coronel Sawa, a chinesa Lian-hua. Tudo se complica, no entanto, quando se apaixona por ela.

Amor e guerra no choque de impérios. 

A Macau dos juncos e das sampanas, dos casinos e do ópio, do Leal Senado e da Praia Grande, do Fat Siu Lao, do Grémio Militar e do Clube de Macau, do Porto Interior e da Porta do Cerco, dos riquexós, dos contrabandistas chineses e das dançarinas russas, do mahjong e da corrupção, do patois, das canções de Art Carneiro e dos jogos de hóquei na Caixa Escolar.

E os refugiados, os bombardeamentos e a fome.


Baseado em acontecimentos verídicos, A Amante do Governador resgata os dias de Macau sob cerco japonês e mostra como Portugal manteve a única bandeira ocidental hasteada no Extremo-Oriente durante toda a Segunda Guerra Mundial. O grande romance português está de volta com a assinatura de José Rodrigues dos Santos, o mestre das nossas letras.

Sobre o autor

José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. Em 1975, mudou com a família para Lisboa e depois viveu alguns anos com o pai em Macau. Em 1983, retornou a Lisboa.

É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o ‘24 horas’. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002. 


Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Diretor de Informação da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros.

Minhas impressões

Como todo autor de best seller, José Rodrigues dos Santos, não passa ileso pelas críticas. Li algumas (depois de terminar o livro) que desestimulam qualquer leitor. Até porque o livro tem 717 páginas, e sei que são poucos os leitores que se aventuram nessa empreitada.

O titulo do livro, sinceramente, é um engodo. Uma estratégia de marketing talvez, para justificar ser um romance. A amante, a linda chinesa Lian Hua, tem uma participação pequena em toda a história, dando o ar da graça somente nos capítulos finais.

Mesmo assim, para quem gosta de história, e entender um pouco sobre o papel da China e das colônias de Hong Kong e Macau na Segunda Guerra Mundial, eu recomendo. Lembrem que o titulo é somente um nome fantasia e percebam o quanto a China, Hong Kong, Macau e outros países asiáticos sofreram na mão dos japoneses que, com o discurso de libertar a Ásia das influências do ocidente, escravizou, matou e tentou impor sua força até o ultimo minuto de rendição.

Também achei bem interessante ver a posição do cônsul japonês em Macau, que deixa claro que a postura diplomática do Japão, não condizia com a imposta pelo Exército Imperial, regido pelo Kempeitai. E mais uma vez fica a lição que não podemos julgar, mas sim ter conhecimento dos fatos. Isso não justifica as atrocidades cometidas, impostas pela força e por um olhar sinistro de superioridade.

Cada vez que leio mais sobre a atuação do Japão na China, entendo melhor a razão de tanta mágoa que envolve essas duas nações.

No final do livro, o autor explica quem são os personagens reais (que inspiraram a obra) e quem são os criados para dar a liga no romance.

Se você quer conhecer um pouco mais dessa vertente da Segunda Guerra Mundial, que por vezes passa despercebida ao ocidente, vale a pena a leitura.

Confesso que me deu uma vontade imensa de voltar a Macau e andar pelas suas ruas com esse novo olhar sobre sua história.

Zái Jiàn!

Uma nota: comprei esse livro em Portugal, e não encontrei referência de sua venda no Brasil, mas existe versão digital na Amazon.

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2 pensamentos sobre “Livro: A amante do Governador (sobre Macau)

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