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Livro: Compre-me o Céu – A incrível verdade sobre as gerações de filhos únicos na China

Esses últimos tempos estou lendo mais do que o habitual. Dois motivos me levam a isso: primeiro que caí de um degrau ridículo de 2 cm e quebrei meu pé, o que me faz ficar mais em casa, e nas primeiras semanas fiquei em repouso absoluto, além de estar usando uma bota que daria inveja ao Robocop. O segundo motivo é que, unindo ao primeiro, as temperaturas desse verão chinês estão completamente alucinantes. Estamos com dias de 37 a 40°C, mas a sensação térmica chega aos 51°C. Sinceramente, acho que se meu pé não estivesse machucado, eu não sairia de casa do mesmo jeito! Se há algo que não gosto, é verão escaldante.

Com isso já estou no quarto livro do mês de julho! E como um deles foi sobre a China, estou dividindo com vocês.

É mais um livro da Xinran que estava na minha lista: Compre-me o Céu – A incrível verdade sobre as gerações de filhos únicos na China.

Já fazem alguns anos que a lei do filho único tem sido relaxada na China em determinados casos, até a liberação geral de 2 filhos por casal no ano passado (nesse link tem mais informações).

Independente disso, não há como negar: existem 4 gerações de filhos únicos no país desde que a lei foi imposta. Os que nasceram nas décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010 (esses últimos também estão numa geração de mudança, já que poderão ter irmãos). Sem sombra de dúvidas os da primeira e segunda gerações são os que mais sofreram as consequências desse evento, e muitos debates e estudos foram gerados dentro e fora da China.

A visão de Xinran é bem interessante, já que ela é uma chinesa que vive fora do país, e tem um conhecimento de causa com dois olhares, além de também ser mãe de um filho único (que foi criado mais no ocidente do que na China).

pixabay.com

Logo no inicio do livro, um parágrafo me chamou muito atenção:

“Embora haja apenas dez ou vinte anos de diferença entre as gerações pós anos 1970, pós anos 1980 e pós anos 1990, a velocidade das mudanças na sociedade chinesa foi tão grande que criou uma profunda divisão entre elas. Esses filhos únicos são os desbravadores de suas gerações e, em todas as décadas a partir de 1970  até os dias de hoje, foram testemunhas e os herdeiros de todas as perdas e de todos os ganhos que aconteceram na família, na sociedade e na educação chinesa.”

Em 2010, aconteceu um episódio marcante com um filho único chinês, que atropelou e matou a facadas a vítima, pois não sabia o que fazer com o fato, não sabia como assumir seu erro, e achou ‘melhor’ eliminar o problema. Muito se debateu na mídia chinesa a respeito do caso Yao Jiaxin, um pianista exemplar, filho único, das primeiras gerações, que teve tudo que os pais e avós poderiam imaginar que ele precisasse.

Mas será que esse comportamento era o padrão, ou foi somente um fato isolado? Dentro da sua pesquisa e convívio com vários filhos únicos de diferentes gerações e camadas sociais, Xinran indagou a cada um deles sobre a atitude desse rapaz e como eles, sendo filhos únicos, viam o fato. Com essa reflexão ela termina a história em cada um dos 10 capítulos do livro, que contam um pouco da história e realidade de vida de mais de 10 filhos únicos chineses que tiveram a chance de estudar fora da China.

Podemos ver com esse emocionante relato, que não há regras fechadas. Que muitas vezes julgamos uma sociedade por atos isolados que chamam atenção da mídia ou um grupo de estudos. Entre os filhos únicos chineses há o grupo que foi altamente mimado e poupado de qualquer atitude de independência, tornando-se pessoas sem nenhuma capacidade de pensar fora dos seus ‘muros dourados’, como também houveram os filhos únicos que tiveram que lutar com a força de um dragão chinês para terem seu lugar ao sol.

O realese da editora – Cia das Letras:

Este livro fala de homens e mulheres nascidos na China depois de 1979 – as gerações recentes criadas sob a política do filho único. Dentro de suas famílias, são vistos como príncipes, mas tanto afago os tornou isolados, confusos e incapazes de lidar com a vida prática. Do filho de um executivo incapaz de arrumar a própria mala ao aluno de doutorado que superou a extrema pobreza, Xinran mostra como essas gerações encarnam os medos e as esperanças de um grande país num tempo de mudanças sem precedentes. É um momento de fragmentação, em que o capitalismo convive com o comunismo, a cidade com o campo e as oportunidades do Ocidente com as tradições do Oriente. Por meio das fascinantes histórias de filhos únicos, capturamos uma faceta decisiva da China contemporânea.

No final, acho que o livro proporciona uma bela reflexão a qualquer pai ou mãe que decide, nos dias atuais, ter um filho único ou mesmo que oportunidades estão dando aos seus filhos. O excesso de proteção, o medo de perder seu único rebento, a falta de oportunidades para o aprendizado, a frustração e o romper de barreiras, são atitudes que vemos em vários locais do mundo com famílias de diversas etnias e situação social.

Os estragos causados a essas crianças pelo excesso de zelo, podem ser tão prejudiciais como a falta de atenção completa. A inversão de valores da vida moderna, onde ‘ter’ é mais importante do que ‘ser’, nos levam a refletir onde irá parar a nossa sociedade, quando essa geração assumir o controle.

Já temos, no mundo (inclusive no Brasil) uma geração que está postergando, o quanto pode, sua inserção no mundo adulto, de responsabilidades, de assumir a própria vida.

Isso é regra? Não.

Como na China, não são todos os filhos únicos que não sabem arrumar sua própria mala ou assumir a responsabilidade pelos seus atos. Mas frente ao número de chineses no planeta, as estatísticas se tornam imensas.

No fim, como já escrevi, uma excelente reflexão, para nós, pais: como estamos educando nossos filhos? E como essa educação vai refletir na sociedade de amanhã?

E vocês, o que pensam à respeito desse assunto?

Zái Jián!

Nesse link tem mais realeses de livros da Xinran.

Se você ainda não tem o livro China na minha vida – O que aprendi com o Dragão, que lancei em abril/2017, é só clicar nesse link e adquirir o seu. Entrega em todo o Brasil.

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