Blog/brasileiras pelo mundo/Cenas da China real/China/Curiosidades/Palestras e Assessoria intercultural/viver na China

Coisas que só quem vive na China vai entender…

O texto abaixo foi publicado originalmente no Brasileiras pelo Mundo, e eu também já publiquei aqui algumas coisas sobre a nossa adaptação na vida chinesa.

Mas sempre vale à pena relembrar, pois toda vez que resolvo fazer uma lista dessas, acho mais coisas para colocar nela! lol

Agora, quem está chegando agora por aqui, já vai tendo uma ideia do que  vem pela frente: a gente não sai ileso dessa experiência!

Mas vamos lá, ao que interessa:

O que mostra que já se está adaptado na China?

Bom, essa é uma pergunta um tanto quanto ampla. Muitas pessoas podem dar respostas evasivas do tipo: “eu vivo bem aqui”; “estou me esforçando para aprender mandarim” ou, ainda,  “já domino a arte de comer com os Kuaizi (chopsticks)”.

Claro que isso já é um bom começo, mas viver na China, ou em qualquer lugar do mundo, nos leva a adquirir hábitos locais, principalmente quando já estamos inseridos nesta sociedade há bastante tempo.

Embora seja muito difícil para qualquer estrangeiro ser comparado a um chinês nativo, a experiência definitivamente  pode mudar muitos dos nossos hábitos cotidianos, incluindo nossa visão de mundo, de urgências e necessidades básicas.

Mais do que hábitos locais, as coisas que aprendi morando fora do “meu quadrado” são indescritíveis e imensuráveis e não é a primeira vez que escrevo sobre esse tópico.

Dá mesma forma, alguns hábitos que trazemos “de casa”, já são tão enraizados que não conseguimos mudar. É inconsciente.

E quais são os fatos com que me deparo no meu dia a dia, que às vezes até me assustam, pois mostram o quanto estou adaptada à essa cultura?

Foto: pixabay.com
Foto: pixabay.com

Outro dia li uma matéria no China Daily, jornal chinês, que me fez pensar em alguns desses hábitos. Alguns já escrevi em outros artigos, como beber água quente, ter um outro sentido de urgência, a paciência muito mais cultivada, adquirir outro conceito de multidão e, principalmente, saber que  “nunca” é um lugar que não existe.

Claro que, apesar de hoje em dia não saber beber água fria (sempre tem que estar ao menos morna) e quase enlouquecer quando chego ao Brasil, pois a água quente não está disponível em cada esquina, ainda lembro exatamente da minha reação na primeira vez em que recebi um copo de água quente lá em Chang Chun.

Pois é… primeira lição de que nunca se deve dizer nunca!

Mas o que mais nos faz ter certeza de que a adaptação está em estado muito mais avançado do que pensamos estar?

  • Você adquire um nome em mandarim, e nem liga se as pessoas te chamam por ele. Se bem que o meu é o som fonético do meu nome ocidental, já que há uma rede imensa de padarias com o nome Christine, e a professora na universidade disse que era um nome muito bonito (obrigada, também acho!) e se pronuncia ‘Kelisting’ – só é ruim de escrever porque são 4 caracteres bem complicados.
  • Saber o signo do zodíaco chinês (o meu é dragão), bem como da minha família toda. E o mais engraçado é que hoje dou pouca atenção para meu signo ocidental (leão), seguindo mais as previsões e características do signo chinês. E olha que sempre fui muito ligada em zodíaco, mapa astral e tudo mais.
  • Raramente se preocupar com a segurança pessoal, mesmo a pé nas grandes cidades durante a noite. E ficar completamente em pânico quando tem que ir ao Brasil – muito triste isso, nem dá para se ter orgulho dessa situação.
  • Nem ligar mais para a “muvuca” que é uma visita ao Wal-Mart ou qualquer outro supermercado chinês, e ainda se divertir com a atmosfera animada.
  • Sorrir  automaticamente quando vê uma criança pequena e ficar feliz que já pode perguntar a idade ou o nome de um bebê em mandarim.
  • Ter entre sua lista de comidas prediletas pato, dumplings, arroz frito, porco e camarão agridoce e vegetais refogados. E quando sai da China, morre de saudades desses pratos.
  • Ter ao menos um filho que fale bem o chinês.
  • Andar com sua própria caneca térmica na bolsa para nunca faltar o chá ou a água quente.
  • Ter um teclado chinês no meu telefone (eu tenho dois, um que digita em pinyin e outro que se pode desenhar o caractere).
  • Achar que todos os preços são passíveis de pechincha e começar a discussão até obter o mínimo desconto.
  • Viajar o mundo com seu cartão “UnionPay” (bandeira chinesa para saque em caixa eletrônico e débito em conta). E agora, na China, usar o celular com o “wechat wallet” para pagar todas as compras do dia e as contas da casa.
  • Verificar as condições de poluição do ar (apesar de eu não ser neurótica com isso, pois não vai mudar nada na minha vida, só me desesperar).
  • Calcular, automaticamente, o valor das coisas em Renmenbie, quando estamos fora da China.
  • Usar a palavra “ganbei” quando alguém propõe um brinde e ‘meiwenti’ para dizer que não tem problema.
  • Ter sempre um estoque de envelopes vermelhos para dar dinheiro de presente e achar estranho entregar dinheiro fora desses envelopes.
  • Ter uma garrafa  de “Moutai” (baijiu) em casa, mesmo que seja para dizer o quanto é ruim essa bebida típica chinesa.
  • Não ter nenhum problema com toaletes no chão, que na verdade  são mais naturais e higiênicos (não vamos falar da limpeza dos banheiros, ok?).
  • Sempre ficar surpresa com o quão pouco o mundo sabe sobre a China.
  • Entender muito melhor a importância de amigos para sua vida ser possível aqui. E fazer coisas que jamais imaginou fazer se estivesse em sua cidade natal – como sair para passear no Bund de pijamas de bichos com as amigas!
Arquivo pessoal.
Arquivo pessoal.
  • Celebrar dois dias do Ano Novo, dois dias dos namorados, dois dias dos pais…
  • Ter um sentimento de cumplicidade quando se depara com outra pessoa não chinesa em qualquer lugar da China.
  • Ter conta no Baidu, YouKu, Taobao e WeiXin (wechat) e QQ (redes sociais chinesas).

Bom, eu até me assusto quando releio essa lista e vejo quantas coisas pude enumerar aqui. E acho que ainda tem mais, porém no momento em que escrevi o texto não me lembrei,  afinal, a gente incorpora as coisas e nem percebe o quanto elas estão presentes na nossa vida.

Na realidade, acho isso tudo a maior conquista de se viver fora do Brasil, porque o que temos arraigados, nossos valores, educação, não perdemos. É uma questão de somar, ganhar experiência e novos olhares sobre a vida.

Quem tem mais hábitos que vale à pena colocar nessa lista? Deixe nos comentários!

Zái Jián!

Anúncios

12 pensamentos sobre “Coisas que só quem vive na China vai entender…

  1. Olá Christine! Estou tão feliz em achar seu blog! Vou me mudar pra Shanghai ano que vem com meu marido e estou tentando me preparar psicologicamente. Você se importa em eu te perguntar algo off-topic? Estou pesquisando orçamento para fazer a mudança mas gostaria muito de saber se vale a pena levar eletrônicos, tipo TV ou geladeira.

    Me desculpe por perguntar algo fora de tópico.
    Estou lendo seu blog de cabo a rabo!!!

    beijos e obrigada!

    Curtir

    • Olá Larissa,
      Que bom que o blog está te ajudando.
      Bom, não sei se você já veio aqui olhar apartamento ou casa e conhece bem o ‘esquema’. A maioria dos imóveis para alugar aqui são mobiliados. Por incrível que pareça, é mais difícil achar um vazio do que com mobília. Mas mesmo os ‘vazios'(sem mobília), já vem com algumas coisas básicas, entre elas os eletrodomèsticos como fogão, geladeira e máquina de lavar e secar, e muitos com televisões (sim, no plural).
      Na minha mudança, só trouxe as coisas pessoais, louças e alguns móveis que gostava muito, tipo cristaleiras etc
      Então antes de colocar tudo no caminhão pesquise um pouco sobre isso.
      Sobre TV eu não sei se vale à pena, mas geladeira, máquinas de lavar e secar tenho certeza que não. Primeiro porque a amperagem aqui é diferente, segundo que aqui é tudo 220w, e esses eletrodomésticos não funcionam bem com transformador.
      Mas talvez a empresa de relocation poderá te dar mais informações sobre isso.
      Abraço.

      Curtir

  2. Chris,
    Fiquei com uma duvida, quando vc diz: Viajar o mundo com seu cartão “UnionPay” , vc usa este cartao no BRasil, por exemplo?
    Se sim, pra sacar, como cartao de credito??/
    Obrigada pela ajuda

    Curtir

    • Olá Alice,
      Sim, eu retiro dinheiro no Brasil nos caixa eletrônicos do Itaú e Citibank. Mas acho que tem mais. Na Europa e EUA, tem vários Caixas que vc pode sacar com seu UNION PAY. Mas não é cartão de crédito. É débito em conta, tem que ter dinheiro na conta para sacar. E há um limite diário, que não lembro qual é.
      Abraço.

      Curtir

  3. oi!
    boa tarde!
    hoje temos sol, depois de dias de muita chuva….
    vc não imagina como me sensibiliza todas essas tuas conquistas.
    beijo grande para vc e familia!

    Curtir

  4. Seus textos são sempre muito bons.
    Passeio na China pelos seus relatos.
    Este tal de Moutai é alcoólico?
    Você já escreveu sobre uso dos cartões de crédito na China?
    Levar dinheiro chinês do Brasil ou trocar aí?

    Curtir

    • Olá Aristóteles!
      Obrigada!
      Sim, o Moutai é a ‘pinga’ chinesa, o nome é Baijiu. Montai é uma marca famosa.
      Os cartões de crédito anda são pouco aceitos. Não lembro se escrevi…haha
      E as pessoas tem preferido trazer dólar e trocar direto aqui.
      Abraço.

      Curtir

Gostou do texto, tem algo para dividir? Deixe seu comentário aqui! =]

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s