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A pressão social e a vida da mulher chinesa

Por mais que a China seja um país sem religião oficial, a filosofia de Confúcio é tida para muitos como a base das regras sociais e de conduta na sociedade. E, apesar desse filósofo ter escritos extremamente pertinentes até os dias atuais, em alguns pontos, como da estrutura familiar, ele foi categórico. Dentre as ‘ Três direções e cinco virtudes’ pregadas pelo Confucionismo, uma delas diz claramente que as esposas devem ser submissas aos maridos. E, através da história milenar dessa sociedade isso foi tido como ‘normal’.

As leis de proteção aos direitos da mulher ainda estão engatinhando por aqui. A violência doméstica, os direitos no divórcio, guarda de filhos, ainda são assuntos delicados. E mesmo com esse quadro de extrema modernidade e complexas regras sociais (que foram criadas há 5 mil anos), o casamento ainda é visto como a condição natural da vida de qualquer mulher. Na realidade dos homens também, mas a pressão social é menor. Haja visto as feiras de casamento, tão comuns nas cidades chinesas, onde os pais vão procurar um noivo/a para seus filhos.

Mas falando de mulher…

Existem vários fatores que já escrevi aqui na página sobre a pressão social em cima da mulher na China.

Começa pela discriminação dos próprios pais, quando nasce, pois queriam um filho (menino). Como a sociedade aqui tem regras que parecem imutáveis (apesar de algumas já estarem mudando lentamente), a mulher nunca trará um ‘retorno’ aos pais, pois quando elas se casarem passam a pertencer a família do marido. Os pais das moças, então, ficam órfãos na velhice. Claro que na prática a coisa não é tão radical, mas também não é confortável para ninguém.

Paradoxalmente a essa realidade, os pais de moças, não vêem a hora delas casarem, pois para os mais velhos é uma ‘vergonha’ (sim, isso mesmo) ter uma filha solteira depois dos 23 anos. Vejam bem: 23 anos!

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Inclusive, são usados termos bem ofensivos (aos meus olhos, ao menos) nas conversas de família, para as moças que não casam na idade ‘certa’ e, consequentemente, não tem filhos na idade estipulada pela sociedade. A coisa é tão séria, que se uma moça tem bebê depois dos 27 anos, a licença maternidade dela tem um mês a mais, pois ela é considerada velha e vai ter mais dificuldade para se recuperar!

Só que a China está se abrindo e cada vez mais jovens mulheres  percebem que não é bem isso que elas querem. Principalmente as que vivem nas grandes cidades e que já saíram do país para estudar. Uma nova ordem social está se formando e sacudindo os pilares tão fincados da sociedade chinesa.

E essa semana uma marca de cosméticos bem famosa aqui na Ásia, lançou um video que se tornou viral, mostrando como é emocionalmente desgastante a situação das moças que decidem que o casamento não é a opção de vida número 1 para elas.

As legendas estão em inglês, mas vale à pena assistir e perceber a pressão dos mais velhos e o medo de falhar na expectativa dos pais que elas possuem. Por mais que não concordem com as regras impostas por uma sociedade milenar, por mais certeza que tenham que a escolha é delas, ainda assim bate o remorso e a responsabilidade pela ‘felicidade’ dos pais.

Frases como ‘eu não vou morrer em paz se você não estiver casada’, ‘você será uma pessoa incompleta’, ‘você será a sobra’… estão presentes nos depoimentos. E por mais que pareça uma coisa do século passado, isso aqui ainda é comum.

Interessante a gente ver como muitas mulheres ainda vivem para perpetuar essa tradição e se culpam por ter ‘envergonhado’ a família.

Como já escrevi várias vezes aqui, podemos levar o progresso de concreto e tecnologia a qualquer parte do planeta, se temos dinheiro e idéias inovadoras, mas a sociedade não consegue ser moldada assim. O inconsciente popular, os hábitos arraigados por séculos, as regras sociais que se repetem e perpetuam são muito mais complicadas de acompanharem o desenvolvimento mundial.

Assistam esse vídeo que me emocionou e tirem suas conclusões. Deixem suas impressões nos comentários.

Zái Jián!

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Xie xie! Obrigada!

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7 pensamentos sobre “A pressão social e a vida da mulher chinesa

    • É eu sei, João carlos. Mas aqui as tradições persistem com muito mais força. E além de tudo não são veladas… isso, no final acaba sendo um ponto à favor da cultura chinesa frente a acidental, não é?
      Abraço.

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