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O valor da amizade na nossa vida pelo mundo

Todo mundo sabe, muitos poetas, filósofos, sábios (e nossas avós também) repetiram inúmeras vezes: ter amigos é ter tudo.

E hoje, resolvi postar mais um artigo com minhas divagações sobre a vida de estrangeiro.

Quantas vezes num momento de decepção ou de extrema alegria, queremos os amigos por perto para nos dar o ombro, o abraço apertado, aquela palavra certa, na hora certa.

Amigo é um bem precioso, um cristal, uma planta rara que precisa de dedicação, cuidado e zelo. Todo mundo sabe que um cristal rachado jamais terá o mesmo valor.

Amigos de infância, feliz de quem os têm, amigos da época de faculdade, os que empreenderam e conhecemos no inicio de carreira, os vizinhos que se tornaram parte da família, aqueles que vemos todo santo dia, os que só encontramos de vez em quando, mas parece que foi ontem e hoje ainda temos os amigos virtuais (mas isso é uma outra história).

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A vida pelo mundo

Até aí está tudo certo e todo mundo concorda. Só que tem a parcela de pessoas (na qual eu me encaixo) que sai pelo mundo e perde a convivência com seus melhores amigos. Sem falar na família direta…

No inicio dá um nervoso, uma insegurança, um friozinho na barriga.

Como será que vai ser?

Chegamos num lugar e nos deparamos com o vazio de não ter ninguém com quem dividir as angústias, os medos, as inquietações da nova realidade.

Aos poucos vamos interagindo com o grupo de locais, de estrangeiros como nós e, melhor ainda, de brasileiros que possuem os mesmos costumes e a mesma língua. Quanto alivio, uma alegria.

Para quem tem filhos pequenos as coisas parecem que ficam um pouco mais fáceis, a socialização na escola, com os grupos de colegas, as mães acabam se encontrando para um playdate. De todo jeito, temos que encontrar um meio para essa socialização.

Perceber que não se esta sozinho, que a vida te mostrou outros caminhos, que colocou pessoas especiais e que entendem a difícil arte de recomeçar, a cada estação, o cultivo das novas relações de amizade é um prêmio que a vida de expatriado nos dá.

O esforço que vale à pena

 O melhor de tudo isso, é que as relações verdadeiras, que cultivamos vivendo no mundo, ficam tão fortes, tão intensas, que dificilmente se desfazem. O vínculo fica, é resistente, suporta as distâncias que se impõe no caminho de quem resolve se aventurar.

Costumo dizer que o que a China uniu, o mundo não separa!

Falo da China, pois é aqui que estou, mas isso se aplica a qualquer lugar do planeta que te dê o titulo de estrangeiro, imigrante, e onde você crie esses laços de amizade.

Sim, os laços são de amizade, pessoa a pessoa, pois o ponto no globo onde nos encontramos, pouco importa nesse momento.

Os vínculos de uma amizade onde as duas partes estão vulneráveis ao novo, ao desconhecido, sem apoio de ninguém, literalmente do outro lado do mundo, podem ser mais fortes do que podemos imaginar.

São esses ‘estranhos’ novos amigos que nos ajudam num momento de doença, nos dias em que nos perguntamos “o que vim fazer aqui? “, que nos levantam na hora que estamos pensando em desistir.

São com eles também que falamos da saudade da família, do trabalho, da carreira deixada em suspenso, das frustrações e das conquistas diárias.

Com eles celebramos aniversário, a conquista de um filho, a viagem sonhada, a nova etapa da vida.

Amigo em mandarim.

Muitos deles passam tão rápido por nós, mas marcam de uma forma tão profunda, que fica difícil explicar. Sabe aquela palavra que era exatamente o que você precisa ouvir? Aquele abraço que surgiu do meio do nada e fez a diferença de todo o resto da sua vida?

Sim, isso existe na nossa vida em qualquer lugar do planeta, mas quando estamos fora da zona de conforto, as dimensões desses pequenos gestos são imensuráveis.

Por tudo isso, apesar de todo trabalho que se tem ao cultivar cada nova amizade, repito que vale a pena.

Posso dizer que hoje tenho amigos, de verdade, espalhados nos quatro cantos do mundo. E a conta não ainda não fechou, pois sei que enquanto estiver aqui, vou continuar cultivando novos amigos, me afastando fisicamente dos que conquistei e a vida segue.

Temos que dar os créditos às redes sociais, que hoje em dia, são nossas grandes aliadas. E, de alguma forma, sempre nos conecta com todos.

Nem tudo são flores

Claro que nem tudo são flores, existem as decepções, os grupos que não nos enquadramos, como em qualquer relação humana. O tempo nos ensina a nos proteger desses tropeços, as vezes tombos feios, e nos tornamos mais fortes.

Também não gosto do estigma que algumas pessoas acreditam que porque somos brasileiros e moramos no exterior, obrigatoriamente teremos que ser ‘amigos de infância’.

Isso não existe, pois precisa haver empatia, sincronia, vontade de estar junto e de dividir.

Conhecidos temos centenas. E, claro, por estarmos num pais distante, na hora das grandes dificuldades o ditado ‘um por todos e todos por um’ é colocado em prática na hora.

Mas amizade é algo que vai mais além. E fica, para sempre, na nossa história, no nosso coração.

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A todos os amigos que o mundo me deu (mesmo os virtuais), aos que ainda farei por esse caminho, meu carinho e gratidão.

A vida se tornou bem mais simples, menos dolorida, pela palavra, sorriso e o abraço de cada um de vocês.

E seguimos em frente!

Zai Jian!

 

 

 

 

 

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6 pensamentos sobre “O valor da amizade na nossa vida pelo mundo

  1. Gostei muito do seu testemunho sobre o valor universal da amizade! Como se fortalece e expande na vida pelo mundo! Um abraço bem brasileiro.

    • Obrigada Wilma!
      Realmente ganhar o mundo expande muito nossa visão, nossos valores, a maneira de encarar a vida.
      Beijo

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