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Códigos culturais – todo cuidado é pouco

Cada cultura, país, região, geração, seja como for, tem seus próprios códigos culturais. Isso parece até aquelas frases feitas, que todo mundo torce o nariz e diz: ‘não precisa me falar, eu sei!’. E, realmente já escrevi sobre isso aqui no blog (e também no livro China na minha vida – o que aprendi com o dragão) dezenas de vezes.

Só que hoje em dia, com as facilidades de comunicação, o mundo todo consegue se conectar através da internet, por meio de aplicativos de celular, tradutores simultâneos e até os que ‘lêem’ rótulos. É impressionante, sem sombra de dúvidas. Principalmente se pensarmos que há 10 anos atrás, muitas dessas tecnologias eram quase que impossíveis de imaginar, para um leigo, como eu.

E assim, conseguimos fazer compras on line num website todo em mandarim, somente abrindo a página no Google Chrome: bingo! Tudo traduzido para o idioma que quiser. E ainda conversamos com os vendedores, trocamos os produtos, reclamamos da qualidade, num frenético movimento de ‘copia e cola, traduz, copia e cola, responde’.

Fazemos amigos virtuais em qualquer parte do planeta, usando as mesmas ferramentas. Lemos as notícias do outro lado do mundo em tempo real, conversamos ao vivo com nossos familiares que estão a milhares de quilômetros de distância, como se estivéssemos sentados no mesmo sofá.

Da mesma

Foto de Antonio Cardoso

forma a acessibilidade aos lugares ficou muito mais simples. Praticamente qualquer um pode ir a qualquer lugar do mundo, simplesmente comprando uma passagem de avião e em algumas horas (ok, podem ser dias) estão no seu sonhado destino. Não que isso não acontecesse na década de 1960, mas era tudo mais difícil por conta da tal da comunicação. Já pensaram quanto tempo uma carta em papel (os mais novos devem estar se perguntando: o que é isso?) demorava para chegar ao seu destino? Planejar uma viagem era algo para os fortes e determinados, tenham certeza!

Mas… sempre tem um ‘mas’… essa ‘facilidade’ de comunicação e acesso nos dão a falsa impressão que tudo está igual, que o mundo se unificou. Ledo engano.

Já ouvi de muitas pessoas: “ahhh, o mundo está globalizado, eu não preciso de um tradutor, afinal as pessoas TODAS falam inglês”. Ledo engano.

Ou então, de alguns no meio de uma visita à China: “estou desesperado, como aqui eles não entendem o que quero falar? E fui dar um tapinha nas costas e o cara deixou de falar comigo? – a China não está aberta para o mundo?”. Sim está, mas não abriu mão de seus códigos culturais e nem entendem os nossos tão bem assim.

Seria muita ingenuidade achar que em 30 anos de abertura econômica e crescimento galopante (tudo movido por muita determinação e dinheiro, muito dinheiro) as raízes culturais da mais antiga civilização do mundo, com mais de 5 mil anos, mudasse como quem trocou o asfalto da rua de terra.

E com essa ‘falsa impressão’ de que está todo mundo no mesmo barco, todas as culturas estão abertas e adaptadas aos novos horizontes virtuais, as pessoas vão cometendo erros que, muitas vezes, podem ser desastrosos.

Pixabay.com

A gafe cultural

Tudo isso para contar para vocês sobre a grande gafe cultural cometida pelo jogador argentino Ezequiel Lavezzi, atacante num time chinês, que postou uma foto nas redes sociais puxando os cantos dos olhos com os dedos, imitando os olhos de chineses. Um gesto considerado extremamente insultante aos asiáticos.

Quando a imagem, que circulava na mídia internacional, caiu na rede chinesa weibo, virou uma febre por todo o país. Um dos jogadores mais bem pagos do mundo, viu sua vida virar do avesso, de astro a vilão, acusado de racismo pelos torcedores chineses.

Não preciso dizer que isso deu ‘pano para manga’, controvérsias, pedidos de desculpas oficiais do jogador e do time que ele defende, teorias e mais teorias conspiratórias, para tentar acalmar a ira dos torcedores. Se quiserem conferir a matéria toda, com a foto inclusive, acessem esse link, em inglês.

E o que fica disso?

Muitos de vocês devem estar pensando: ‘mas eu já fiz isso milhares de vezes para descrever um aisático’, ou: ‘caramba, tinha uma música que cantava da escola que falava do ‘Ching Ling’ e todos os alunos, seguindo as orientações da professora, puxavam os olhinhos e mexiam a cabeça de um lado ao outro’.

Pois é, mas estava no Brasil, onde os códigos culturais são outros e o que é ofensivo para nós pode não dizer nada para outro grupo e vice versa.

Da mesma forma, se um chinês for ao Brasil e começar a arrotar na mesa, todo o povo vai ficar bravo,fazer cara feia, discutir com o pobre homem (que por sua vez não vai entender nada, já que na China essa é a regra) e vai deixar ele mais confuso ainda, se depois de tudo resolvido, sairmos dando abraços e tapinhas nas costas e dizendo que está tudo certo (pois o brasileiro sempre resolve tudo, no fim das contas…).

E assim vamos aprendendo com tropeços e acertos. Mas a informação sempre é a mais preciosa de nossas armas. Nunca pise em falso estando num país ou com um grupo estranho ao seu ambiente cotidiano. Na dúvida, não faça nada e observe como as pessoas a sua volta se comportam.

#ficaadica

Alguns artigos sobre diferenças culturais:

Chineses e suas diferenças culturais – por uma chinesa

Se adaptar às mudanças – o grande desafio

Os mal entendidos com a cultura chinesa – pelos olhos chineses

Zái Jiàn!

 

  O livro China na minha vida – o que aprendi com o Dragão, pode ser adquirido aqui.

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5 pensamentos sobre “Códigos culturais – todo cuidado é pouco

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