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Vivência chinesa – o relato de uma brasileira

Já escrevi muitas vezes aqui no blog que somos mais de 15 mil brasileiros vivendo na China hoje em dia. E nesse mar de gente, existem vários grupos distintos, seja por idade, objetivo na China, profissão, essas coisas.

Isso faz com que as pessoas passem por experiências que podem ser diferentes, principalmente se levarmos em conta os grupos que vivem em cidades como Shanghai, que é muito mais receptiva e preparada para receber o estrangeiro. Eu já vivi as duas experiências e posso garantir que são completamente diferentes. Inclusive o aprendizado do mandarim, é muito mais fácil em cidades fora da ‘bolha internacional’, pois ou você fala ou não sobrevive, simples assim!

Mas uma coisa é certa: algumas coisas que vivenciamos aqui, são comuns à todos. Talvez com mais ou menos intensidade ou frequência, mas  ninguém passa ileso pela China!

E, claro, muitas pessoas tem fatos super interessantes para dividir, experiências únicas e muitas vezes hilárias. Na realidade, costumo dizer que depois que passa a gente ri!

Por essas e outras, faz algum tempo que escrevo alguns posts com a tag ‘China na NOSSA vida’, afinal não estou sozinha por aqui e, com certeza, tem muita gente com muito para contar.

Quando as pessoas se dispões a dividir suas histórias comigo, as publico aqui com o maior prazer. Afinal, cada um tem seu olhar e partilhar esses modos diferentes de ver a China só traz ganho para todos nós!

E esse é o caso da Rebecca, que sempre colabora com a página do Blog no Facebook, e com seus relatos. Quando ela fez um ano de China, escreveu um texto que foi publicado aqui. E agora ela e sua família (marido, duas filhas lindas e um cachorro chinês) estão completando 3 anos e, dá mesma forma, foi feito um relato, que transcrevo, quase na íntegra.

Mesmo assim, o texto ficou um pouco longo, mas garanto que vale à pena.

Ah, ela vive fora da ‘bolha’, em Changzhou.

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3 anos na China, por Rebecca Ceccarelli Raya Steinhoff

Quando mudamos para China, algumas pessoas achavam que eu não aguentaria 3 meses, mas foi a mesma coisa que falaram quando eu me casei, que me casamento não duraria muito tempo. Enfim, já estou aqui há 3 anos e casada a quase 10 anos!

Claro que sinto saudades da minha família, dos meu amigos e dos meus animais (principalmente).

Mas eu estou muito bem aqui e espero ficar por muito anos. Porque realmente eu AMO morar na China!

São 3 anos inesquecíveis, de muitos perrengues, muitas risadas, muita choradeira, muita felicidade e que:

Sobrevivi as ‘catarradas’ dos chineses, só quem vive ou visitou a China pra encarar o povo escarrando o tempo todo na rua. É sofrido demais você andar na rua e de repente uma linda chinesa puxa o catarro lá do dedinho do pé e cospe do seu lado, o barulho que ela faz parece que vai te engolir.

Sobrevivi a restaurantes fechados onde é permitido comer cigarro (chinês não fuma, come cigarro, acende um atrás do outro) e come e fuma e fuma e come. E tudo isso bem do seu lado, e às vezes naquelas salas particulares, onde não tem uma janelinha.

Sobrevivi a comida chinesa – aqui se come quase tudo que anda, voa e rasteja. As vezes chega vivo na sua mesa e ai você não sabe se come, se chora ou se sai correndo.

Sobrevivi as privadas chinesas (aquela de buraco no chão). Levei 3 meses pra conseguir usar esse buraco. Sim, porque tinha todo um esquema pra usar isso.

Sobrevivi as intermináveis conversas as quais eu falava um “ni hao” (Olá) e o chinês resolvia continuar a conversa e eu só ficava com cara de paisagem, tentando entender o que diabos ele estava falando. As vezes eu até concordava com a cabeça para mostrar que estava entendendo alguma coisa.

Sobrevivi a casamentos chineses, aqueles com 1000 convidados te olhando e você se sentindo um ET, onde além de tudo muito rico e lindo, se comia cobras, pombas, sapos, crocodilos, tartarugas e cabeças de boi. A melhor parte dos casamentos é que as crianças ganhavam dinheiro dos noivos (tradição chinesa).

Sobrevivi também a almoços de Ano Novo, onde serviam pratos não ‘comíveis’ (pelo menos eu não comia, só ficava no pepino), mas adorava esses almoços porque as crianças também ganhavam dinheiro (tradição chinesa).

Sobrevivi a almoço feito no chão da rua. Onde o ‘chef’ cozinhava num latão e lavava as verduras e legumes na calçada! Higiene mandou lembranças nesse dia. Depois disso nunca mais fiquei doente.

Sobrevivi a alarmes e barulhos estranhos e assustadores onde eu não sabia se gritava ou corria. Na verdade num desses barulhos eu passei a mão nas minhas filhas e nos meus pais e saímos correndo de pijama e com os passaportes na mão (o marido estava viajando), mas o barulho era o teste de incêndio do prédio a 1 da manhã.

Sobrevivi a compras de mercado SOZINHA onde a única coisa em inglês que se ouvia era “hello ou hallou”, e era impossível comprar carne no açougue, porque você não entendia os cortes. Mas mímica é tudo minha gente. E quando não dava certo eu comprava frango congelado.

Conheci lugares maravilhosos, emocionantes e divertidos.

Conheci vários brasileiros que moram em outras cidades da China alguns pessoalmente, outros apenas pelo facebook e um sempre ajudando o outro!

Conheci pessoas de diversos países.

Comprei tantas tralhas, bugigangas e bagulhos e não uso metade delas.

Isso sem falar nas duas ‘chinesinhas’ que tenho em casa, dois anjos na minha vida! Desde de pequenas falando chinês pelos cotovelos e absorvendo uma cultura grandiosa.

E quando eu achava que seria sofrido voltar a estudar (em uma sala de aula), eis que criei coragem e fui. Deu medo, mais fui com medo mesmo!

Aqui tudo é muito lindo, muito bem feito (no jeito chinês). Para uma cidade com 6 milhões de habitantes tudo funciona maravilhosamente bem, a segurança que se tem nas ruas é impressionante, a saúde, o trânsito.

Claro que existem coisas ruins nessa cidade, mas são tão poucas que se tornam insignificantes pra mim. Nada que estrague meu dia-a-dia. Acho que também se deve ao fato de que como não sou fluente no idioma, não me interesso por desgraças ou coisas ruins.E Graças a Deus nós nunca passamos por coisas ruins.

Mas passei por diversas situações engraçadas como por exemplo:

Pedir Mc Donald’s e receber o pedido duas vezes e só pagar uma; ou fazer o pedido e entregarem em doses homeopáticas: primeiro chega a coca, depois a batata e depois o hamburger.

Pedir pizza de pepperoni e receber de carne moída de porco, abacaxi, banana e pimenta (sim, porque chinês não gosta de nada muito sem gosto, nada muito simples).  E se você pede uma coisa e não tem, eles não avisam. Simplesmente mandam outra para não perder a venda.

Chamar o rapaz da manutenção, que você nunca viu na vida, e ele entrar na sua casa sem bater.

Encontrar seus vizinhos fuçando seu lixo – sim porque somos ‘Ets’ e eles querem saber do que nos alimentamos, como sobrevivemos.

Dar gorjeta para o entregador, taxista ou garçom e eles devolverem.

Estar na fila do mercado e, do nada, entrar um chinês na sua frente. O conceito de fila pra eles é bem diferente do nosso. Hoje eu já reclamo (mesmo que na mímica).

Ficar doente e receber do médico aquele remedinho super, mega, ultra fedido, que com certeza irá curar até sua unha encravada (coisas da medicina chinesa).

Andar nas calçadas sem o mínimo de tranquilidade porque, do nada, aparecem aquelas motinhos do capeta cutucando tua bunda ou buzinando na sua orelha. Aqui é permitido motos e carros nas calçadas.

Andar de táxi é um capítulo a parte na minha vida! Quem nunca pegou um táxi na China, não sabe o que é viver perigosamente. É muita emoção numa simples corrida. Ele não corre, simplesmente voa. Você entra e reza para chegar viva e no lugar certo! Fora quando o taxista para no meio do caminho para fazer xixi no matinho! Mas no final eu sempre voltava para casa com meus rins!

Ser parada na rua porque a chinesada quer tirar foto com você, com suas filhas ou com o seu marido, e você nunca vai saber o que eles fazem com as fotos!

Jantar em restaurante onde o cardápio não tem foto, apenas caracteres. E você ainda não chegou a tanto na suas aulas de chinês, não entendeu nada daqueles “desenhos”. Mas você arrisca e usa o tradutor do celular e leva uma hora pra fazer o pedido. Mas no final dá certo e se não der você experimenta comidas novas. E até que é legal… na maioria das vezes.

E quando uma família de chineses te convidam pra jantar fora? Lascou. Com certeza eles escolheram comer as comidas mais estranhas e esquisitas que existem na culinária chinesa.

Ou quando você convida uma família de chineses pra jantar na sua casa e os filhos praticamente destroem seu apartamento, porque eles são criados por lobos (são criados pelos avós, mas a maioria deixa fazerem o que querem, sem um mínimo de educação). Um deles fez xixi no meu sofá novinho enquanto a mãe ria e comia e eu querendo cortar ela em pedacinhos e esfregar a cara dela no xixi do filho!

Usar o tradutor para te tirar das enrascadas.

Estudar chinês e sair na rua já se achando a ‘profissa’ no mandarim. E descobrir que continua não entendendo nada do que eles falam, porque eles falam tão rápido, mais tão rápido que você não acompanha. Ou simplesmente porque eles querem conversar com você no dialeto local deles, ou seja, você continua na mesma sem entender nada. Mas sua professora disse que você estava falando direitinho.

Estar no elevador e quando a porta abrir o chinês vê que é estrangeiro e gritar surpreso “Ohhhh laowai” e não entrar. Sei lá o que eles pensam.

Enfim passar por tudo isso é uma experiência maravilhosa. Conhecer uma nova cultura e ter uma vida completamente diferente da que um dia você imaginou é sensacional!

A vida realmente é feita de oportunidades!

Então agarrem todas que aparecerem na vida de vocês.

Vai com medo, vai sem medo, vai do jeito que der, mais vai!

I❤️China!

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Foto de Antonio Cardoso Ferreira

 

E para acabar…

Espero que tenham gostado do texto da Rebecca. Eu adoro os ‘desabafos’ dela no facebook, sou realmente fã das suas tiradas, da espontaneidade e, o que mais admiro, da capacidade de fazer a vida ser mais leve, mais gostosa e mais feliz!

Nossa cabeça é nosso guia. Fazer do limão uma limonada saborosa ou engolir o suco amargo é uma escolha de cada um. Pensem nisso.

Sigam a Rebecca pelo Periscope – Eu na China – @belsteinhoff

E você, tem alguma experiência para dividir conosco? Entre em contato!

Zài Jián!

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19 pensamentos sobre “Vivência chinesa – o relato de uma brasileira

  1. Amei os “desabafos” da Rebecca…apesar de algumas situações já conhecer por vc mesmo…
    Mas o q ela disse sobre os jantares, a correia com o alarme de incêndio e a criança da visita fazendo xixi no sofá…foram ótimos!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gente, que legal!! Achei seu blog por ter também um blog falando da China. Me identifico com tudo que você Chris escreve e também a Rebeca. Realmente a China nos faz passar por situações hilárias, mas mesmo com tantos momentos estranhos eu sinto muita saudade da China. Vivi 3 anos na China e gostaria poder voltar. Mas escrevendo meu blog e lendo outros blogs me faz ficar mais pertinho desse país incrível. Obrigada por compartilhar tudo isso. Se alguém quiser passar pelo meu blog também para rir das minhas experiências, sejam bem vindos!
    http://www.marifigueredo.blogspot.com

    Zài Jián!

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  3. Ainda estou me matando de rir, mas confesso, adoro ler as verdades só não tenho a mesma “coragem” para dizer elas, mas que existem não somente na China existem Christine. Sabes que andei meio sumidinho por uma ida imprevista a Itália, claro que por ficarmos lá um mês acabamos por rodar alguns lugares e fomos até a França, vi coisas bem parecidas da “estranhices” aqui descritas mas não vou contar, até mesmo por cada cultura ter lá seus motivos.
    Assim como ela descreveu somos vistos sim como “Et’s” principalmente por ter costume de tomar banhos durante o dia, coisa de doente para eles, rssss.
    No Youtube eu adoro ver os chamados Chef’s das culinárias orientais e dentre eles eu gosto muito do ( https://www.youtube.com/channel/UCbULqc7U1mCHiVSCIkwEpxw ) que esta nos EUA mas sua culinária é Japonesa e do ( https://www.youtube.com/channel/UCFV-GT88-qTS4c0DAtTxRpg ) mas tem de todos os cantos do mundo, Malásia, Cingapura, Vietnam, Shanghai, Bangkok, Tailandia, e etc… Alguns chegam ao cumulo de percebermos que o americano que está filmando a comida de rua não esta interessado na comida em si e sim na moça com seus dotes quase a mostras, rssss.
    Não digo assim como a Rebeca que comeria ou experimentaria de tudo, mas tem algumas comidas que enchem nossa boca de água só em ver o preparo. 🙂

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  4. Bom dia!! Gosto muito do seu blog, leio todos Os posts. Muito obrigada por partilhar conosco. Este relato é um resumo da nossa vida aqui na China. Só quem vive aqui pra saber. Kkk Abraço Monica

    Enviado do meu iPhone

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  5. Teste de incêndio a uma da madrugada ninguém merece, carros e motos na calçada também não. Mas gente furando fila eu simplesmente não entendo. Na cara dura? Só porque você eh estrangeiro?

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    • Oi Aristóteles.
      Não é porque somos estrangeiros não. O chinês fura fila em qualquer situação, eles não tem muito essa noção de ‘fila’, é muita gente e no meio do salve-se quem puder, eles vão se aglomerando. Mas isso está mudando. Em cidades como Shanghai, as coisas estão mais tranquilas. Isso é uma questão de mudança de valores e adaptação cultural. Lembre-se que só fazem 30 anos que a China saiu do nada. O concreto se muda fácil, mas as pessoas, a cultura arraigada, isso leva muito mais tempo!
      Abraço.

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  6. Kkkkkk muito disso acontece, adicionanto as partes que as mulheres desconhecem, quando voce entra no banheiro do metro ou de qualquer mercado ou lugar publico mesmo cheio de placas de nao fume tem mais fumaca e chepa de cigarros la que no buteco do brasil

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  7. Amei o texto da Rebeca! Não sei porque, mas fez eu me emocionar. Acho que porque também tenho um sentimento muito especial pela China. Sou casada com um chinês e recentemente casamos na China. Pude vivenciar de perto essa experiência maravilhosa, mas no nosso casamento não tiveram cobras, lagartos e crocodilos rsrs, mas muita comida gostosa. Bjos e parabéns pelo blog!

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    • OI Luiseanne!
      Obrigada pela visita.
      Sim, eu também já fui em casamentos que a comida era só coisa boa. Mas já fui em jantares da empresa do meu marido, que só por Deus! hahaha. A irreverência da Rebecca escrevendo que faz a diferença nesse texto.
      Abraço!

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