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CPFL Intercâmbio Brasil-China: 10 anos construindo pontes

Quando pensamos na relação entre Brasil e China, é fácil imaginar comércio, investimentos, tecnologia, diplomacia. Afinal, essas são áreas importantes e cada vez mais presentes na nossa vida, mas existe outra forma de aproximar dois países: a cultura.

É justamente por esse caminho que, há dez anos, o Instituto CPFL vem construindo pontes entre Brasil e China por meio do CPFL Intercâmbio Brasil-China.

Criado em 2016, o projeto nasceu com uma proposta que continua bastante atual: aproximar o público brasileiro da China por meio da arte, da filosofia, da música, da literatura e de experiências culturais.E, em 2026, essa história chega à sua 10ª edição com uma programação que, na minha opinião, merece ser acompanhada de perto.

Uma China que vai muito além dos estereótipos

Eu acompanhei recentemente, no Instituto CPFL, em Campinas, a abertura do módulo especial do Café Filosófico dedicado à filosofia e ao pensamento chinês contemporâneo.E confesso que saí de lá com uma sensação que conheço bem: ainda temos muito a descobrir sobre a China.

Quando se fala em pensamento chinês, é comum que nossa primeira referência seja Confúcio, Laozi, o taoísmo, o passado imperial, uma filosofia milenar.

Tudo isso é fundamental.

Mas existe também uma China contemporânea que pensa o presente e o futuro.

Uma China que discute tecnologia, inteligência artificial, organização do mundo, relações entre culturas, cosmopolitismo e novas formas de compreender a sociedade.

É justamente essa China que o módulo do Café Filosófico coloca em discussão.

Com a curadoria do professor e filósofo Antonio Florentino Neto, os quatro encontros de setembro partem de obras de pensadores chineses contemporâneos que chegam agora ao público brasileiro em português, em uma parceria com a Unicamp e a Editora Phi.

E talvez esteja aí uma das grandes riquezas dessa programação: não se trata apenas de falar sobre a China, mas de criar espaço para que possamos conhecer como ela pensa.

Filosofia para entender um mundo em transformação

O primeiro encontro, realizado em 3 de setembro, apresentou um panorama dos temas fundamentais da filosofia chinesa no século XXI, com o próprio Antonio Florentino Neto.

Mas o ciclo continua.

No dia 10 de setembro, Plínio Marcos Tsai conversa sobre Cosmopolitismo chinês e a crítica ao dualismo ocidental.

No dia 17, Sofia Bastos Pontieri Augusto aborda “Tudo sob o céu, a partir do conceito de tianxia, uma maneira chinesa de pensar a organização do mundo”.

E, encerrando o módulo, no dia 24, Daniel Omar Perez discute A questão da tecnologia na China hoje“.

Os encontros acontecem às 19h, no Instituto CPFL, em Campinas (vou colocar o endereço no final do artigo), com entrada gratuita e por ordem de chegada.

Também é possível acompanhar as gravações pelo YouTube do Café Filosófico CPFL.

Para mim, esse é um dos pontos mais interessantes dessa 10ª edição: ela não apresenta uma China congelada no passado. Ao contrário, coloca tradição e contemporaneidade lado a lado.

Dez anos, muitas formas de encontrar a China

E o Café Filosófico é apenas uma parte dessa história.

Para comemorar os dez anos do CPFL Intercâmbio Brasil-China, o Instituto CPFL preparou uma programação que percorre diferentes linguagens.

Tem exposição, teatro, filosofia, literatura, audiovisual, música e celebrações culturais.

A ideia é interessante justamente porque cada pessoa pode encontrar a China por uma porta diferente.

Para quem gosta de história e cultura, há a exposição imersiva “A Grande Muralha da China”, aberta ao público desde 3 de setembro e em cartaz até 31 de outubro, no Instituto CPFL.

Para quem prefere as artes cênicas, a programação traz a peça infantil “Garça, Mexilhão e Peixe”, apresentada em Campinas no dia 6 de setembro.

E para quem gosta de experimentar a cultura para além dos livros e das telas, vem aí o Festival da Lua (Moon Cake Festival), no dia 19 de setembro, no Teatro Umuarama, Instituto CPFL.

A China também na televisão e nas telas

A programação se espalha ainda para o audiovisual.

Em setembro, o Café Filosófico CPFL leva à TV Cultura três programas dedicados à China.

Nos dias 6 e 13 de setembro, Claudia Trevisan e Yili Wang discutem, em duas partes, “A ascensão da China e seu impacto sobre o mundo“.

No dia 20, Evandro Menezes de Carvalho aborda “A modernização chinesa com a governança ecocivilizacional“.

Os programas vão ao ar aos domingos, às 20h.

E tem mais: a segunda temporada da série documental Brasil China amplia o olhar para a presença chinesa no Brasil, investigando temas como infraestrutura, tecnologia, energia e desenvolvimento.

Ou seja: a proposta não é olhar apenas para a China que está do outro lado do mundo. É também perceber onde China e Brasil já se encontram por aqui.

E essa história ainda vai até dezembro

A programação da décima edição continua nos próximos meses.

Em dezembro, os Concertos EPTV levam a celebração para Ribeirão Preto, no dia 1º, e para Campinas, no dia 4, com entrada gratuita.

E há ainda os lançamentos editoriais que ampliam o acesso, em português, ao pensamento chinês contemporâneo. Entre as obras estão Cosmopolitismo Chinês, de Shuchen Xiang; Tudo Sob o Céu, de Zhao Tingyang; e A Questão da Técnica na China, de Yuk Hui.

Uma década construindo pontes

Talvez o que mais me interesse nessa iniciativa seja justamente a palavra “ponte”.

Porque conhecer a China não deveria significar apenas aprender sobre seus monumentos, experimentar sua gastronomia ou decorar alguns costumes.

Tudo isso é parte da experiência, mas existe uma camada mais profunda.

Conhecer uma cultura também é entender como ela olha para o mundo, quais perguntas faz, quais valores carrega e como interpreta as transformações do seu tempo.

É por isso que considero tão importante uma iniciativa que, há dez anos, vem criando oportunidades para que brasileiros e chineses se encontrem também pela cultura.

E 2026 tem um significado ainda maior: o ano foi escolhido pelos governos do Brasil e da China como Ano da Cultura China-Brasil.

Depois de tantos anos estudando, vivendo e compartilhando a China, continuo acreditando que quanto mais conhecemos, mais percebemos o quanto ainda falta conhecer.

Talvez seja justamente essa a graça de uma ponte: ela não serve apenas para nos levar ao outro lado. Serve para que os dois lados possam se encontrar no caminho.

E, neste mês, Campinas tem muitas oportunidades para isso.

Serviço

10ª edição do CPFL Intercâmbio Brasil><China

Exposição “A Grande Muralha da China”
03 de setembro a 31 de outubro
Instituto CPFL — Rua Jorge de Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera, Campinas/SP
Entrada gratuita.

Café Filosófico CPFL — Filosofia e pensamento chinês contemporâneo
10/09 — Cosmopolitismo chinês e a crítica ao dualismo ocidental — Plínio Marcos Tsai
17/09 — Tudo sob o céu — Sofia Bastos Pontieri Augusto
24/09 — A questão da tecnologia na China hoje — Daniel Omar Perez
Sempre às 19h, no Instituto CPFL. Entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h.

A programação completa pode ser consultada no site oficial do Instituto CPFL.

Deixo aqui, um pedacinho do Café Filosófico que aconteceu dia 03 de setembro:

Espero que aproveitem essa oportunidade, ao vivo ou online!

Zái Jián!

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