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Mulheres Brasileiras na China: Histórias de Coragem e Transformação

Em 2004, embarquei para a China sem saber que ia ficar 16 anos.

Fui acompanhando meu marido num projeto de quatro meses. Quatro meses que viraram contrato, que viraram anos. E nessa vida que foi se construindo do outro lado do mundo, aprendi que existem viagens que começam com passagem de avião, e outras que começam com um mergulho em si mesmas.

“Elas Empreendem no Mundo: Brasileiras na China” é sobre esse segundo tipo de viagem.

O livro reúne 16 mulheres brasileiras que, em diferentes tempos e circunstâncias, pousaram na China e se transformaram. Algumas chegaram por amor, outras por trabalho, outras por aquela vontade sem nome que nos empurra para o desconhecido. E todas, sem exceção, saíram de lá diferentes de como chegaram.

Fui convidada a apresentar o livro e, quando comecei a ler, entendi por quê. Cada história ecoou algo que eu mesma vivi: o choque cultural, o silêncio das horas sem referência, a descoberta de que você é capaz de muito mais do que pensava, e o jeito peculiar que a China tem de te mostrar isso sem aviso prévio.

E o que começou como um sonho, se materializou em páginas cheias de emoção, resiliência, aprendizados, realizações e mais dezenas de emoções que não caberiam nessa descrição. Só mesmo lendo e percebendo as entrelinhas dessas histórias maravilhosas.

Mais do que o livro se tornar realidade palpável, as organizadoras, com apoio das coautoras, conseguiram fazer um lançamento maravilhoso na China, mais especificamente, na cidade de Hangzhou em 29 de maio de 2026. Foi realmente um momento único e especial que ficará para sempre na memória das mulheres que fazem parte dessa coletânea.

Meu agradecimento a Claudia Canto e Lau Nascimento, organizadoras da obra, por me confiarem a tarefa de apresentar essa coletânea.

E a todas as co-autoras, deixo meu abraço e admiração, pois só quem conhece a China a fundo, sabe que o caminho não é totalmente plano e nem florido, mas fomos muito além do que um dia podíamos sonhar e, tenho certeza, todas nós temos uma gratidão imensa a esse país que nos abriu tantas possibilidades.

Parabéns, mulheres que cruzaram fronteiras geográficas e pessoais:

  • Ana Flávia
  • Andreia Vicentini Galvão
  • Claudia Barros
  • Christien Scarpa
  • Daniela Tassy
  • Danielle Pedrosa
  • Dayane Epifânio
  • Fernanda Queiroz
  • Heloisa Carvalho
  • Joana Molgaard
  • Luisa Zanolla
  • Michelle Okano
  • Roméria Barros
  • Simone Tsou Liu
  • Stella Scabia

Nas próximas linhas, você vai ler a apresentação que fiz, com os momentos que me tocaram e os paralelos com a minha própria travessia. Não vou entregar o livro todo, porque ele merece ser lido com calma, do começo ao fim. Mas vou te dar motivos suficientes para querer comprá-lo, por isso, aqui já fica o link da Amazon.

Se você tem curiosidade sobre a China real, não a das manchetes ou dos documentários, mas a do cotidiano, das escolhas, das mulheres que constroem caminhos onde não havia estrada, continue lendo.

Existem viagens que começam com uma passagem de avião. Outras começam com um mergulho em si mesma.

Estou aqui para apresentar este livro, que  reúne 16 mulheres brasileiras que, em diferentes tempos e circunstâncias, aceitaram o convite de atravessar o mundo e pousar na China.

Vieram por amor, por trabalho, por curiosidade, por destino. Vieram inteiras, partidas, corajosas, assustadas. E todas, sem exceção, se transformaram.

Porque viver na China não é apenas mudar de endereço. É mudar de idioma, de ritmo, de olhar. É descobrir que a distância não se mede em quilômetros, mas em versões de nós mesmas.

Cada história aqui contada é um pedaço dessa travessia. São relatos de mulheres que construíram caminhos, pontes, sonhos e que deixaram sua marca no “País do Meio”. Mulheres que provaram, com gestos e escolhas diárias, que recomeçar é possível em  qualquer tempo, em qualquer lugar.

E é nesse espírito de reinvenção, afeto e descoberta que este livro se apresenta: como um abraço que atravessa oceanos, ligando quem parte, quem fica e quem se transforma no caminho. Inspirando outras mulheres.

Mas deixa eu contar como cheguei aqui.

O ano era 2004.

China era um lugar distante, e não apenas no mapa. Distante nos cheiros, nos sons, nos costumes, na velocidade do tempo. Um país que parecia outro planeta, enquanto eu ainda vivia presa ao meu pequeno universo de trabalho, rotinas familiares e amigos de longa data.

Meu marido foi para um projeto de quatro meses. Quatro meses, parecia pouco, um sopro. Mas o sopro virou vento, e o vento… O projeto se transformou em contrato de trabalho e  ficamos na China por 16 anos. Quando dei por mim, a China era casa, espelho, escola e um novo começo.

Na decisão de acompanhá-lo, precisei abrir mão de muita coisa: trabalho, estabilidade, a familiaridade do idioma, o café com as amigas, o pão de queijo na padaria da esquina. Mas pensei comigo: se é pra atravessar o mundo, que seja pra voltar melhor do que fui. Voltar, de fato, eu nunca voltei, mas me reencontrei. E talvez esse tenha sido o verdadeiro retorno: aquele que a gente faz pra dentro de nós.

Naquela época, muitas mulheres estrangeiras, brasileiras ou não, seguiam caminhos parecidos. Eram companheiras de executivos, engenheiros, profissionais chamados para fazer parte do grande salto chinês. A China fervilhava de oportunidades e desafios, e o convite para embarcar nessa jornada soava tentador. Mas ninguém nos preparou para o que vinha depois: o silêncio das horas, o choque cultural, o estranhamento de se ver estrangeira até dentro de si mesma.

E vale lembrar: estávamos no início dos anos 2000. A internet ainda fazia barulho quando conectava, e o “tradutor automático” era um dicionário de bolso. Smartphones? Só nos filmes. Não existiam grupos no WhatsApp, nem vídeos no YouTube ensinando a pedir comida em mandarim. Tudo era na raça, com mímica, sorrisos e uma boa dose de improviso.

Mas o que faltava em tecnologia, sobrava em coragem. A cada dia, a gente aprendia a se virar, a rir de si mesma e a se reinventar. A China, com toda sua imensidão e mistério, foi também um espelho que me mostrou do que eu era capaz.

Foi ali, entre as pausas e os choques culturais, que nasceu o blog China na Minha Vida. No começo, era só um diário, um jeito de organizar o turbilhão de emoções, de registrar descobertas e desabafos. Aos poucos, virou companhia. E companhia virou comunidade. Quando percebi, eu não estava mais apenas escrevendo: estava conversando com centenas de pessoas que também buscavam entender a China.

O blog virou livro, e o livro virou parte de mim. Hoje, “China na Minha Vida” é mais do que uma marca: é um retrato da minha travessia, feito de aprendizados, tropeços, saudades e uma imensa gratidão por tudo o que vivi.

Nesse percurso, conheci mulheres extraordinárias. Algumas chegaram com medo, outras com entusiasmo. Umas ficaram pouco tempo, outras, como eu, acabaram ficando mais do que o planejado. Mas todas, sem exceção, se reinventaram de algum modo. Criamos laços invisíveis: redes de apoio, amizade, solidariedade. Aquelas conexões que só quem vive fora entende, porque ser estrangeira é também aprender a ser família de quem está por perto.

Com o passar dos anos, a China mudou e nós mudamos com ela. O país se transformou numa velocidade que desafiava o relógio, e as mulheres também começaram a ocupar novos espaços. Já não vinham apenas como acompanhantes: vinham como estudantes, empreendedoras, pesquisadoras, executivas, criadoras de conteúdo, artistas. O espaço feminino na terra do dragão foi crescendo, conquistando respeito e ampliando as possibilidades.

E mesmo aquelas que chegaram acompanhando seus parceiros, descobriram o poder de reescrever suas próprias histórias. Reinventaram-se, criaram negócios, fundaram projetos, abriram caminhos. Cada uma à sua maneira deixou marcas, sementes, lembranças.

Nesse percurso da China na minha vida, testemunhei histórias lindas. Histórias de coragem, de recomeço, de lágrimas e gargalhadas. Histórias de quem aprendeu a dizer “sim” para o desconhecido e, no processo, descobriu uma nova versão de si.

A verdade é que viver na China é uma aula contínua de adaptação e humildade. A gente aprende a observar antes de agir, a escutar antes de responder, a encontrar beleza onde antes só havia estranhamento, cultivar a paciência. Aprende que nem tudo precisa de tradução, porque o coração entende gestos que o idioma ainda não alcança.

As mulheres que aqui relatam suas histórias fazem parte desse universo de mulheres que construíram pontes, mesmo quando as estradas pareciam longas demais. Que desafiaram expectativas, criaram novas narrativas e provaram, mais uma vez, que coragem é verbo feminino.

São histórias que inspiram, emocionam e, sobretudo, mostram que o ato de se reinventar é universal. Pode começar com uma mudança de país, mas continua dentro da gente, a cada escolha, a cada adaptação, a cada novo “olá” dito com sotaque e sorriso.

Quando olho para trás, vejo que a China foi, para mim, uma espécie de espelho gigante, daqueles que não distorcem, mas revelam. Revelam o quanto somos capazes de mudar, de recomeçar, de florescer mesmo em solo estrangeiro. E talvez seja por isso que, mesmo tendo deixado a China, ela nunca tenha me deixado.

Este livro é, acima de tudo, uma celebração. Um tributo a todas nós que cruzamos fronteiras, que enfrentamos o desconhecido, que choramos de saudade e rimos de nós mesmas quando nada fazia sentido. É sobre pertencimento, sobre força, sobre afeto.

É sobre as mulheres que chegaram a China e descobriram que o “outro lado do mundo” também podia ser o lado de dentro.

E, no fim das contas, é sobre o poder das histórias.

Porque contar é resistir, é compartilhar, é existir.

E quando mulheres se juntam para contar suas versões da vida na China, o resultado é isso: um mosaico de coragem, emoção e humanidade.

Que este livro toque quem o lê da mesma forma que a China nos tocou: profundamente, transformando o olhar e abrindo o coração para o novo.

Zài Jiàn! 再见!

Christine Marote

Espero que esse texto tenha te tocado e mostrado a ponta (minúscula) do iceberg, por cada página desse livro, o relato de cada uma dessas 16 mulheres, vai muito mais fundo do que podemos imaginar. Fica, mais um vez, o link para adquirir o livro.

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