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Parece, mas não é.

Para nós ocidentais, principalmente das Américas e Europa, o Alfabeto Romano é o único que faz sentido, Na Ásia e Oriente Médio já predomina a escrita por símbolos, que para mim parecem mais complicados desenhos sem sentido. E hoje, tenho certeza que o inverso é verdadeiro: eles também não entendem os nossos ‘desenhos’ sem sentido! Fato. J

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A escrita baseada em ideogramas é a mais popular no leste da Ásia e para quem não convive com isso, chega a pensar que são quase os mesmos ou que, pelo menos, se você conhece um deles vai conseguir decifrar (sim, por que para mim ainda são enigmas…) os demais. Puro engano! Japão, Coréia do Norte e do Sul e China, cada um tem seu próprio idioma e sua escrita, apesar de estarem interligados. E, mesmo que eu continue achando que são desenhos, a escrita coreana é formada por letras e não ideogramas (ok, se isso é letra para eles 블로그들, quem sou eu para discutir…)

 E vou ficar com esses 3 países, que estão bem presentes na minha rotina. Além do que a quantidade de idiomas e dialetos na Ásia é uma coisa absurda, e super confusa.

A China tem vários idiomas (vindos de famílias linguísticas diferentes), apesar do oficial ser o Mandarim. Além de ser o mais falado na Ásia, o Mandarim é o idioma com maior número de falantes no mundo! Com caracteres ideográficos semelhantes para a escrita, a língua falada tem sons completamente diferentes em cada região, com centenas de dialetos (o que leva os próprios chineses a não se entenderem dentro do seu país!!!). Depois que foi implantado o chinês simplificado (1958), é cada vez mais raro encontrar a escrita vertical, que ficou restrita aos documentos antigos e obras de arte. A escrita dos ideogramas pouco mudou desde a antiguidade e é extremamente complexa. Para se conseguir ler um jornal, tem que saber identificar no mínimo de 2 a 3 mil caracteres. O dicionário básico possui mais de 40 mil caracteres. Um ‘pequeno dicionário’ aqui é inviável!

Desde o final do século 19, os ingleses vinham tentando romanizar a escrita chinesa, mas foi em 1958 também, que o governo instituiu oficialmente o pinyin como sistema de romanização da escrita. Mas até hoje esse sistema ainda é desconhecido para muitos chineses adultos e as crianças só aprendem o pinyin depois de terem sido alfabetizadas pelos ideogramas. Essa é a maneira encontrada para preservar a língua escrita através dos ideogramas, que corre sério risco de se perder com o passar dos anos.

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O Japonês é escrito como uma combinação de três diferentes tipos de escrita: a baseada nos caracteres chineses Kanji (que em 1947 foi restrito a 1900 ideogramas e que são ensinados gradativamente durante a vida escolar. Eles expressam o sentimento literário), Hiragana (caracteres que expressam as palavras de origem japonesa) e Katakana (expressam as palavras estrangeiras). O alfabeto romano, Roomaji, é também usado no japonês moderno. O interessante do japonês é que a escrita romanizada é bem difundida e, a grosso modo, o que a gente lê é quase o que a gente fala: arigatô – ありがとう,obrigada. Essa você lê exatamente como escreve. Isso já é um alivio e tanto, né? O idioma Japonês, então, é a mistura desses 3 tipos de caracteres e por conta disso, em alguns casos os chineses e japoneses conseguem se comunicar pela escrita, sem diálogo.

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Na Coréia (do Norte e do Sul) o idioma falado é o Hangul. Esse idioma tem uma história bem interessante: ele foi completamente inventado pelo Rei Seojong, em 1446. Até então a Coréia (ainda unificada) falava um idioma baseado no chinês, com estrutura gramatical diferente na língua falada. Mas na escrita era igual e como estavam numa época de guerras e disputas, todas as ordens estratégicas escritas pelos oficiais do exército corriam o risco de serem decifradas se caíssem nas mãos do inimigo. Foi então que o Rei decidiu criar um alfabeto próprio, como um código secreto, que só os coreanos soubessem decifrar. E passou a exigir que todos, nobres e plebeus do seu reino, aprendessem a ler e escrever aqueles códigos. Isso acabou fortificando o seu reino, já que somente eles sabiam interpretar, e ainda garantiu sua liderança politica por mais 100 anos! J Houveram muitas discussões durante a história da Coreia sobre a utilização do Hangul como língua oficial. Foi proibida por diversos governantes, mas como estava muito enraizada dentro da cultura popular, depois da segunda guerra mundial, foi definitivamente legitimada como o idioma coreano. Dizem que é uma língua muito simples (?!?) e uma das mais lógicas do mundo. Até hoje ainda há polêmicas em torno da romanização (como o pinyin na China) da língua, por conta de alguns fonemas do alfabeto romano não existirem no coreano.

Agora, vocês já podem identificar cada escrita. A frase é a mesma, mas dá para ver a diferença, não é?

我爱写有关亚洲。

 

Wǒ ài xiě yǒuguān yàzhōu.

私はアジアについて書いて大好きです.

 

Watashi wa Ajia ni tsuite kaite daisukidesu.

 

나는 아시아에 대해 쓰고 사랑 해요

 

naneun asia-e daehae sseugo salang haeyo.

 

Já falei aqui que o ‘Google translator’ passou a ser artigo de primeira necessidade na minha vida diária!

Ah, o que eu escrevi? Podia deixar vocês curiosos para ir correndo procurar meu amigo Google, mas como adoro receber cada um aqui, vou contar:

“Adoro escrever sobre a Ásia.”

Na realidade, adoro escrever sobre a China, mas não posso negar que passar a tarde de domingo lendo sobre as peculiaridades de cada idioma, me encheu de curiosidade. Quando tive a idéia de escrever esse post, era por conta da diferença visual mesmo. Mas quando comecei a descobrir as coisas, não agüentei… e aqui está mais um post gigante! J

Zái Jiàn, peng yòu!

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Um pensamento sobre “Parece, mas não é.

  1. muito legal seu post, mas não confia muito no google, porque nem tudo no japonês têm tradução literal, ele costuma errar muito nessa parte, por exemplo: hashi pode ser ponte, ou o “talher” japonês. continue estudando bastante, além da gramática têm muitas curiosidades legais no lado oriental do mundo.

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