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Templo de Confúcio em Shanghai

Esse ano, depois de muito tempo, passamos o Ano Novo Chinês na China (meio redundante, mas é fato). Tivemos alguns contratempos com a renovação do nosso visto de residente, que vence bem no meio do feriado e, por isso, não pudemos sair do país.

E, já escrevi várias vezes aqui, viajar na China durante os feriados chineses precisa ter muito espírito aventureiro. Então resolvemos ficar por Shanghai mesmo. Afinal,  essa é uma das cidades que mais ficam vazias nos feriados, por ter um grande número de migrantes. Assim, poderíamos ‘turistar’ dentro de casa.

Conversando com uma amiga, decidimos ir conhecer o Museu de Shanghai – uma vergonha, morando há 8 anos na cidade, nunca ter visitado esse local. E lá fomos nós, abraçadas ao lema: “antes tarde do que nunca”.

Pois é, mas ainda não foi dessa vez. A cidade estava aparentemente vazia, quase sem trânsito, mas cheguei a conclusão que todas as pessoas que estavam em Shanghai tiveram a mesma ideia que nós. Ao entrar na praça que antecede o museu, nos deparamos com uma fila imensa, que circundava o prédio! Esse pequeno detalhe, somado ao frio de lascar que estava fazendo (nada agradável para enfrentar uma fila a céu aberto), decidimos adiar nossa visita.

E o que fazer?

Ela me perguntou se eu conhecia o Templo de Confúcio que ficava perto do Yu Garden, não muito longe de onde estávamos. Não, nem sabia que existia, para ser bem sincera.

Shanghai é uma cidade com tantas, mas tantas opções, que sempre você vai se deparar com algo que nunca tinha visto, nem sequer imaginado que existia, mesmo vivendo por tantos anos aqui.

Mas vamos ao templo. Fomos andando, até porque, caminhar ajuda a espantar o frio, além de te dar uma outra perspectiva sobre a cidade. E, um pouco antes de chegarmos ao Yu Garden, entramos por umas ruazinhas bem locais, a velha e instigante China , e numa viela, demos de cara com o Templo de Confúcio ou文庙 – Wen Miao, como é chamado em mandarim.

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Com certeza, mais um desses locais que denomino ‘o paraíso no meio no caos’. Porque se está andando numas ruas cheias de gente, comércio, motinhos por todos os lados, carros e pedestres disputando seu lugar nas ruelas, crianças correndo, gente gritando e, de repente, se cruza um portão e tudo se transforma em paz, silêncio e beleza ímpar.

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E é interessante como a China está repleta desses lugares inspiradores.

O Templo

O Templo de Confúcio, é um templo confucionista (claro) e semelhante ao templo original de Confúcio em sua cidade natal Qufu e ao que existe em Beijing, mas em menor escala.

Wen Miao é o único complexo de arquitetura antiga em Shanghai, com uma história de mais de 700 anos em memória ao grande sábio chinês – Confúcio (孔子). O templo serviu como instituição de ensino superior  e um local de descobertas de talentos. Cerca de 279 estudantes do templo foram selecionados com êxito nos mais altos exames imperiais e serviram como funcionários superiores na corte, durante as dinastias Yuan, Ming e Qing.

Fundado em 1296, durante a Dinastia Yuan, sofreu grandes danos  durante a história da China, em especial na Rebelião Taiping (meados do século 19)  e na Revolução Cultural (década de 1960). Em 1995, o governo decidiu reconstruir o templo, sendo fiel à sua arquitetura e características originais. A maioria dos edifícios atuais foram reconstruídos ou restaurados em 1999 para comemorar o aniversário de 2.550 anos de Confúcio.

O templo possuis vários espaços, incluindo pequenos museus, jardins, salas de aula.

Um, em especial, chamou minha atenção: a coleção de bules de vários materiais e épocas. Lindos demais, principalmente por uma apaixonada por porcelanas chinesas.

Nos finais de semana, o templo também abriga uma grande feira de livros.

Como disse no início, é um lugar agradável, tranquilo, em que se pode passar algumas horas fora do burburinho da cidade.

Proteção aos estudantes

Confúcio é o grande mestre da China antiga, professor, poeta e o patrono da educação.

Por isso, até os dias de hoje, os estudantes vão ao templo pedir ajuda, proteção e inspiração quando precisam realizar os exames escolares ou os testes de admissão nas universidades.

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E, ontem, no templo vazio, presenciamos uma cerimônia com esse fim. Um professor (não sei como nomear essa pessoa que conduzia os pedidos), fazia algumas ‘orações’ em frente à estátua do mestre, acendia incensos e velas,  com a moça seguindo todos os passos. A mãe, parada na lateral, acompanhava tudo com uma emoção palpável.

Foi emocionante.

Saindo dali, continuamos caminhando e não é que encontramos outro Templo? Um templo budista, também perdido no meio da cidade. Mas sobre esse,  conto depois!

Zái Jián!

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2 pensamentos sobre “Templo de Confúcio em Shanghai

  1. Adorei….
    Shanghai é uma cidade com tantas, mas tantas opções, que sempre você vai se deparar com algo que nunca tinha visto, nem sequer imaginado que existia, mesmo vivendo por tantos anos aqui.
    Imagine a gente???
    Bjs

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