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Contar com as mãos

Se a língua e a escrita são tão diferentes por aqui, por que contar com as mãos seria simples e básico como no nosso sistema ocidental?

Então vamos lá: eles usam uma só mão para contar de 1 a 10. O Mário diz que é porque a outra está ocupada segurando o dinheiro. É uma piadinha que só entende quem vive aqui, porque “êta” povo para gostar de dinheiro! O melhor presente para o chinês é dinheiro. Sem mais.

Voltando à contagem. De 1 a 5 podemos ficar dentro do tradicional, passando disso são feitos sinais que identificam cada número.

Foto da Internet

Os 3 últimos sinais são para o número 10, mas o mais usado é o da mão fechada.

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E como tudo aqui, não há como sair do padrão porque eles não entendem. Se tentar falar 10 com as duas mãos abertas, vão te olhar com aquelas interrogações saindo por todos os lados.

Outra coisa interessante é que eles não cortam o número 7 como fazemos, e nem a letra Z. E quando a gente cria um hábito de alguns anos de estrada escrevendo de um jeito, como é difícil mudar. Toda hora me pego cortando o tal do sete e em seguida as interrogações me perseguindo.

Alguém me explicou que por conta dos caracteres, que são extremamente complicados e detalhados, eles são extremamente rígidos com a escrita. Se uma pontinha do número ou da letra está fora do padrão, está errada e não há entendimento.

Em alguns momentos e atitudes, percebemos como o povo daqui é rígido, inflexível e metódico com os padrões. Vejo isso como resquício do período da Revolução Cultural, quando a ditadura era realmente levada ao pé da letra. Sem questionar, sem sair dos padrões. E apesar de vermos altas ondas de criatividade e “jeitinho” no dia-a-dia, também há um excesso de falta de iniciativa para sair do que já está estabelecido.

É um paradoxo. E para quem gosta de analisar e “filosofar” em cima, um prato cheio.

Até amanhã! J

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4 pensamentos sobre “Contar com as mãos

  1. Pingback: (Sobre)Vivendo sem o mandarim. | China na minha vida

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  3. Oi Christine
    Também passei por essa dificuldade com os gestos para os números. O problema é que só soube que eles tinham outro padrão para isso já de volta ao Brasil (não tivemos muito tempo para programar a viagem e pesquisar os detalhes). Aí lembrava dos momentos em que eles faziam os gestos e a gente não entendia nada até que eles pegavam a onipresente calculadora para mostrar. Incrível como até essas coisas tão banais podem ser tão diferentes. Até hoje digo para amigos que descobri na China que essa história do inglês ser uma língua universal é o maior papo furado. Nem mesmo a mímica é universal!
    Abraço

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    • Arnóbio, é isso mesmo. Os estrangeiros de modo geral, acham que vem para cá e vão fazer tudo como em outro lugar (do mundo ocidental, claro). E como vc mesmo experiemntou, a coisa não é bem assim. Os numeros e a mimica são um exemplo bem simples. Mostrar 2 mão abertas para eles não significa nada, e nem passa pela cabeça deles o numero 10, já que aqui o 10 é representado por uma mão fechada. =] Obrigada pelo comentário, muito interessante!

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