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O louco crescimento automotivo chinês

Todos sabem que desde a década de 1980, a transformação da China foi algo meteórico (e ainda continua numa escala bastante agressiva). Em 20 anos a mudança foi tão radical que assustava qualquer estrangeiro que chegasse aqui ainda com a mentalidade da China comunista de Mao Tsé Tung, esperando encontrar um desenvolvimento promovido pela abertura, mas nada além de algumas novas construções e investimentos.

De 1976, ano da morte de Mao, até os dias de hoje, se passaram 38 anos, e o que se vê pouco lembra aquela China destruída, sem infraestrutura básica e perspectiva de futuro, completamente fechada ao ocidente, ou melhor, ao mundo. Estradas, pontes imensas, ferrovias, trens de altíssima velocidade, aeroportos de primeiro mundo, cidades planejadas (que nem sempre são as melhores, mas isso é outro assunto…) construídas em cima dos velhos vilarejos. Escolas reativadas, universidades sendo realinhadas com a necessidade do mercado mundial. Investimento e execução a ‘toque de caixa’!

Por que não estamos falando de uma ponte, um viaduto, um aeroporto. Estamos falando de tudo isso em escala proporcional a um país de 9.7 milhões de quilômetros quadrados, reconstruído em 28 anos. É alucinante, mesmo para quem já está aqui há tantos anos. Ainda me surpreendo com o que vejo.

E nessa roda vida de crescimento, o país das bicicletas, como a China sempre foi conhecida, passou a ser incentivado ao consumo interno e os carros viraram objeto de desejo, status e poder.

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Acho que tem haver com a questão da autonomia da locomoção. Quem pode se locomover com algum tipo de veículo, possui um status mais elevado na sociedade. Era assim há 28 anos. Um colega de trabalho do meu marido, chinês, por volta dos 50 anos, contou que naquela época ter uma bicicleta era o auge na vida de qualquer pessoa. Os homens que possuíam uma, já estavam um passo à frente para arrumar uma esposa. E, relembrou que o dia mais feliz da sua vida foi o dia que conseguiu ter a sua bicicleta, aos 25 anos.

Hoje, a bicicleta continua sendo um dos meios de transporte mais utilizados na China, mas até ela teve um ‘upgrade’ na sociedade. A febre agora são as elétricas, que facilitam a vida do condutor, já que o esforço diminui (consequências da modernização, a obesidade chinesa, que também é assunto para outro post).

Mas como sempre escrevo aqui, na China nada é pouco, ao menos para nós. Devido à população que já passou a casa dos bilhões (dados de 2012 apontam 1.350 bilhões de habitantes), os números de produtos de consumo se multiplicam pelo de consumidores e aí, façam as contas…

Apesar da bicicleta ainda manter sua função social por aqui, hoje perderam sua posição de ‘status social’. Agora o chinês quer ter carro. E carro com tudo que se tem direito. E quanto mais caro, mais extravagante e mais desejado pelo imaginário popular, melhor. Tanto que aqui, dar um esbarrão com uma Ferrari ou Masseratti ao atravessar a rua é situação corriqueira. Fora as personalizações que são feitas sob encomenda pelo excêntrico chinês que tem dinheiro para isso. Nesse post e na página do facebook, você pode conferir o que estou tentando explicar (lol).

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Bom, mas apesar do enriquecimento chinês ter vindo a galope, hoje o governo tem a preocupação de dar condições de consumo interno para a classe média, e aí entra o dado que li no blog de um ‘amigo da blogosfera’(rs) que mostra que a China tem 62 marcas de automóveis! Eu fiquei boquiaberta! Você pode conferir todas as marcas no CARVANTRUCK, onde há uma tabela com todas as marcas do mercado chinês.

Então se já se acostumou a cruzar com carros da ‘JAC’ e da ‘Cherry’ pelas ruas do Brasil, vai se preparando por que a tendência é que muitas outras desembarquem por aí!

Só a titulo de curiosidade, para que possam entender as dimensões do que estamos falando, foram vendidos quase 22 milhões de automóveis em 2013 na China. A frota total de veículos é estimada em 250 milhões, isso incluindo caminhões (que também há um post bem interessante no ‘carvantruck’). Não é à toa que agora, o governo está tentando frear a compra de carros nas grandes cidades, como Shanghai e Beijing (entre outras).

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Os níveis de poluição estão alarmantes, os milhões de viadutos já não dão conta do trafego intenso e pesado das grandes cidades, e a coisa não para de crescer. Principalmente porque junta a questão cultural chinesa de status, de ser importante ter e mostrar que têm, aliada aos números populacionais chineses, que faz toda a matemática do ‘crescer e multiplicar’ virar jogo de criança.

Aonde tudo isso vai dar, não sabemos ainda. Mas que as vezes isso tudo me assusta… Ah, assusta!

Zài Jiàn!

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9 pensamentos sobre “O louco crescimento automotivo chinês

  1. bom dia. a morte de mao foi em 1976 não ?( errinho de digitação) ahah, em tempo adoro o blog leio todos os dias. beijos

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    • Caramba, Sergio… valeu! como as coisas as vezes passam despercebidas mesmo relendo 500 vezes o texto antes de publicar. Na realidade em 1986 a China já estava com o processo de abertura da economia em andamento.
      Obrigada!
      Abraço.

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  2. Eu já tinha comentado em outro post seu que acho muito contra mão esse incentivo deles ao uso dos carros. E sei que essa questão de status é difícil de quebrar.

    Mas quase chega a ser alentador que as autoridades queiram frear esse consumo nas grandes cidades, pelo menos.

    Ao mesmo tempo, são eles que estão sustentando a economia mundial. Se eles tropeçarem, a tragédia econômica será avassaladora (e eu preferiria estar em Marte… rsrsrs)

    É de assustar mesmo.

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    • Opa, boa saída. Isso se eles não estiverem em Marte também! Vai saber… rs
      Mas o problema da ostentação chinesa e do consumo por bens de luxo, está ultrapassando todos os limites de ‘novo rico’ que eu já vi na vida.
      Em contra partida, manisfestações de grupos isolados, com violência, estão ficando mais frequentes, geralmente são os chineses mulçumanos, mais radicais… algo para ficar remoendo… Até quando se controla tanta gente? Mesmo sem armas de fogo…
      Abraço….
      BTW, quando comprar seus tickets, avisa… terá companhia de, ao menos, mais dois…hehehe

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