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Extrapolando com a primavera.

Olha, outro dia estava conversando com uma amiga e o marido dela havia comentado quase a mesma coisa que eu, há poucos dias atrás. Ai perguntei para um e outro e a maioria tem uma opinião semelhante à respeito da “crise chinesa pós inverno congelante” ou ‘crise de abstinência’ de usar roupa leve e colorida, como queiram. Mas o fato é que esse fenônemo existe e depois de minha quarta primavera consecutiva em Shanghai, posso comprovar o fato diante dos meus olhos.

 IMG_0799Acontece assim: no inverno, por ser muito frio aqui (não tanto como no norte, mas ficamos alguns graus abaixo de zero por algumas semanas e depois em torno de 0 a 5°C por outras 6 semanas, o que dá quase 3 meses de intenso inverno. Nesse frio é difícil você variar muito a roupa, porque sempre acaba na blusa de manga comprida mais leve (porque dentro dos lugares é quente), calça, bota (item de primeira necessidade) e o famoso casacão ou sobretudo, que na maioria das vezes é preto ou marrom, até por uma questão de praticidade. Claro que há opções coloridas, mas mesmo assim não dá para ter tantos casacos como temos camisetas. É mais caro, ocupa muito espaço e mais dificil de combinar.

Já falei inúmeras vezes aqui que o gosto do chinês para se vestir é assim… um pouco duvidoso para nossos padrões. Aquela história da China que maximiza tudo (o melhor, o maior, o mais…) se estende para o vestir, ou seja, quanto mais enfeites, mais detalhes, cores e acessórios tiver, melhor. Mas, voltando ao inverno, na estação dos casacões esse tipo de ‘liberdade fashionista’ fica um pouco prejudicada para a maioria das pessoas. Fato que deve gerar uma tamanha frustração e angústia no povo, nas mulheres principalmente, que quando começam a aparecer os primeiros botões de flor, a paisagem vai mudando, clareando, abandonando o sóbrio preto e marrom, mas ainda contida até meados de abril, porque aqui é assim: se usa casacos leves e sapato fechado até essa data, faça calor ou frio, mas depois falo sobre isso, já que é uma outra constatação da minha humilde pesquisa de campo, tudo ganha outra perspectiva.

Quando chega nesse moimento do ano, parece que uma bomba é detonada, daquelas que explodem flores e bolas coloridas e brilhantes, e esse fator se esparrama por todo o lado e vai se infiltrando em cada esquina. E as pessoas descobrem que podem usar shorts, saias e blusas. E sandálias e chapéus e sombrinhas (sim, aqui descobri o real significado de uma ‘sombrinha’). E o melhor, sem os casacões pretos e marrons. Muito pelo contrário quanto mais cores melhor.

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Ok, eu também adoro poder sair de casa sem ter que carregar mais 10 quilos em cima do meu corpo, usar roupas mais leves e sapatos coloridos. Mas o fenômemo aqui toma proporções inimagináveis. As mulheres abrem seus guarda roupas, suas caixas, suas gavetas e vão tirando tudo que encontram que seja claro, colorido e leve e…. vão colocando em cima do seu corpo, tudo junto e misturado. Rendas, paêtes, babados, fitas. Listrado, estampado, bolinhas pequenas, bolinhas enormes, xadrez. Laranja, amarelo, verde, roxo, vermelho, sulferino, pink. Sandálias de salto, sem salto, com laços, coloridas, cheias de cristais, lantejoulas, brocados. E, para finalizar, meias de seda… PRETAS!!!! Sim, pretas e se rasgam, furam ou desfiam, não há problema algum, afinal a vida continua.

Então gente, além da poluição do ar que é assustadora aqui e no verão piora, e da poluição visual inerente às grandes metrópoles, temos a poluição visual fashionista que, aqui entre nós, nos leva da perplexidade às gargalhadas. E quando saímos com nossa calça jeans, camiseta branca, um lenço e sapatilha, recebemos olhares firmemente reprovadores, assim como que dizendo: ‘pobres coitadas, nem sabem se produzir’….uiiiiiiiiiiiiiii. Roupas de uma cor só? Que pobreza. Cabelos presos com uma fivela de madeira ou da própria cor do cabelo? Um disparate. E nos olham com o ar superior e vão em frente com seu arco íris pessoal, suas meias pretas e a sombrinha cravada de lantejoulas, felizes e saltitantes.Hoje, em menos de 10 minutos que fiquei esperando o Liu me pegar, numa esquina do Yu Garden, eu vi mais de 30 com a descrição acima. Fotografei algumas. E tem o tópico “tirar e posar para fotos” que fica para amanhã. Esse assunto tem ‘pano para manga’!!!rs

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Mas sabe de uma coisa? É assim que elas são felizes. Livres do cinza do inverno, rindo, coloridas, brilhantes e enfeitadas, se misturam com as flores da cidade.

Até chegar outubro, e as cores novamente irem sendo colocadas nas caixas, as rendas e brilhos enfiados nos armários, para esperar a próxima ‘crise de abstinência’ chegar e iluminar tudo com seu exagero EXAGERADO, típico desse país.

Zài Jiàn!

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