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Do caos a ordem… ou vice-versa se você preferir!

Dentre as tantas coisas que me impressionam aqui na China, uma delas é a importância dada aos detalhes. Desde um palito de dentes, até uma caixa aonde vem acondicionado o pratinho que custa 10 remembies, tudo é repleto de beleza e cuidados que acabam valorizando aquele objeto tão simples.

Muitas vezes as pessoas acabam nem ligando para o que há dentro das caixas, pois elas já são uma obra de arte, um presente. Sou um pouco suspeita para falar, porque adoro caixas. E sinceramente tento aproveitar todas que ganho (o que nem sempre acontece com o que veio dentro dela).

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Palitos de dentes entalhados!

O que me intriga é que isso está na caixa de objetos de louça e jade, de roupas e acessórios, mas também nas embalagens do supermercado. Aqui compramos azeite em caixas tão lindas e seguras, que acho que nem cristais no Brasil vêm tão bem acondicionados.

E nas casas, telhados, portas. Entalhes na madeira, no concreto. Talvez pela própria escrita ser tão cheia de linhas e detalhes, onde um mero tracinho faz toda a diferença e muda o significado completamente, eles cultuam as pequenas coisas. No final sabemos que essas pequenas coisas, juntas fazem a diferença.

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Azeites importados à venda nos supermercados. Veja se não é para guardar uma caixa destas?:)

E os móveis em miniatura? Estantes, cadeiras, mesas e baús. Todos entalhados e perfeitos como se fossem os de verdade. Aí tem a porcelana, as pequenas esculturas em Jade, madeira ou pedra. Os bordados e as peças em seda.

E no completo contraponto desse universo de delicadeza e significados, tudo é uma bagunça, desordenado e muitas vezes sujo demais para nossos padrões. E isso vai desde as casas até o trânsito. Ninguém se entende, falam tão alto que parecem estar sempre brigando, discutindo (mas muitas vezes estão brincando ou somente batendo um papo…), as buzinas não param, o respeito nas filas e para entrar e sair de um recinto, seja o elevador ou o metro, não existem. É o caos, Praça da Sé no horário de rush, é a milésima parte desse todo.

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Um flagrante do trânsito ‘normal’.

Só que as coisas caminham juntas por aqui, a sutileza e o caos. Se é verdade que os opostos se atraem, quem fez essa teoria deve ter conhecido a China. Como diz a letra de uma música (em inglês – Ebony and Ivory) muito conhecida, o ébano e o marfim convivendo juntos em perfeita harmonia, lado a lado no teclado do meu piano… (entenda-se: harmonia dentro dos padrões chineses).

 Realmente esse é um povo e uma cultura muito complexos de se entender, por mais que se queira. Vez ou outra me vejo num limbo, sem saber para que lado correr. E acabamos por desenvolver uma relação de amor e ódio por esse lugar. Mas sempre acabo achando uma explicação para me convencer que tudo sempre vai mudar para melhor, nem que seja por algumas horas. J

Domingão numa praia chinesa.

Domingão numa praia chinesa.

Afinal, sempre ouvi dizer que ‘depois da tempestade vem a bonança’ ou ‘do caos vem a ordem’… será que é isso? E já que A China é a civilização mais antiga do mundo, todos os ditos populares foram baseados na experiência de vida chinesa? É, taí uma coisa para se pensar…

Zái Jián!

2 pensamentos sobre “Do caos a ordem… ou vice-versa se você preferir!

  1. Oi, Christine!
    Estou indo pra China para intercâmbio e ouço tanto falar da sujeira de lá que morro de medo de uma coisa: insetos. Tenho pavor a baratas. Você tem alguma experiência nesse sentido? Vou ficar em Xinzheng, numa universidade internacional.
    Muitíssimo obrigada!

    • Olá Dany.
      No verão é mais comum, mas no inverno, nem elas gostam de sair da toca…rs
      Na realidade não vejo mais baratas aqui do que via no Brasil. Mas vivo em Shanghai.
      Abraço.

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