Palestras e Assessoria intercultural/viver na China

Reflexões de uma época de crise

E como prometido, seguem, agora registradas no blog, algumas das minhas reflexões sobre a era coronavirus.

Somos todos um

Hoje, com o coronavírus espalhado pelos 4 cantos do mundo, as pessoas estão se vendo dentro da experiência surreal que passamos nos últimos 55 dias.

E ao invés de todos olharem para essa experiência chinesa e tomar ações simples para o combate da contaminação (que é rápida e certeira), continuam buscando desculpas, apontando dedos para o vizinho ao lado e deixando de lavar as próprias mãos.

A coisa que me entristece, mais que a doença em si, é ver a falta de solidariedade, de espírito de coletividade, de cada um estar preocupado só com seu quadrado. A doença do corpo tem cura, a do espírito, do coração, do caráter, se esconde através de falso moralismo e contagia todos com seu ódio, mágoa e rancor.

O mundo precisa parar de querer ver só culpados e pensar que todos, sem exceção, temos responsabilidade pelo que está acontecendo no nosso planeta.

Uma onda de xenofobia está mais latente do que nunca, cada um tentando achar no outro seu pior lado.

Não importa se são asiáticos, americanos, europeus ou latinos. Somos todos seres humanos, habitantes do planeta terra.

Agora me pergunto: não estamos na época de se levantar bandeiras para a igualdade, para acabar com a discriminação, com o preconceito, para estimular um mundo sem fronteiras? E quando temos a oportunidade ímpar de fazer a teoria virar prática, vemos que é um discurso vazio, na maioria dos casos.

O que adianta discursos de igualdade e fraternidade, se vemos ódio destilando nas redes sociais. Se vemos dois pesos e duas medidas nas atitudes das pessoas, onde se cobra tudo do outro, desde que as regras não se apliquem a mim.

Olha, mundo louco esse. Pensem nisso. Para finalizar, só posso dizer: fiquem em casa e lavem as mãos.

Isso é respeito à coletividade, é respeito ao outro e a nós mesmo. É um ato de amor ao universo. É pensar e agir com todos, como a gente gostaria que agissem conosco.

É simples. É indolor. É cidadania, é ser politicamente e emocionalmente correto. É ser amor mesmo no caos. É, acima de tudo, aprendizado.

Jiayou, Mundo!

Isso vai passar!

Conquistas pós quarentena

E porque hoje faz 60 dias que eu não ia até essa parte da cidade, resolvi comemorar e refletir sobre esse tempo.

Sim, com a experiência do corona vírus aprendi que devemos celebrar as pequenas coisas, as vitórias do dia a dia, as lutas da sobrevivência. Aprendi que tudo pode ser nada em questão de segundos, que a vida dá voltas e nosso poder de controle é limitado, para não dizer completamente nulo.

Aprendemos a ser mais pacientes, a viver um dia de cada vez, a conviver dentro de uma rotina completamente fora da rotina.

Por um período, perdemos a noção do tempo, se era segunda ou sábado, não tinha importância, por que nada mudaria. Aprendemos também a fazer planos para o hoje, porque amanhã ninguém sabe como será.

Aprendemos, na prática, o que é resiliência, e como lidar com as perdas e incertezas sem perder o equilíbrio emocional.

Agora, com tudo voltando a normalidade, com a vida se encaixando, nosso ‘curso’ terminando, resta saber o que vamos fazer com todo esse aprendizado. De que forma ele será incorporado na prática da vida sem a sombra desse vírus.

Acredito que jamais será a mesma. As marcas deixadas tatuaram nossa memória e nosso coração, mas saímos mais fortes, confiantes e com a certeza que depois da tempestade vem a bonança.

Só não quero me esquecer de tudo que aprendi, não quero me perder nas ‘necessidades’ da nossa vida material e esquecer das muitas orações que fizemos pedindo somente que a vida voltasse ao normal, que se pudesse caminhar pelas ruas da cidade.

Que toda a dor se transforme em esperança, todo sofrimento em força para continuar, toda a incerteza em determinação.

A vida segue, e tudo vai passar! A experiência ficará para sempre.

Jiayou, será sempre minha palavra de ordem.

Xie xie China, por mais esse duro, mas necessário, aprendizado. Mais do que nunca, agora tenho certeza que você estará para sempre na minha vida.

Somos diferentes, mas no final, todos iguais!

E aqui estamos nós. Vivendo cada qual seu momento de reflexão, buscando encontrar o fio da meada, percebendo (a duras penas) o que todos já sabíamos, mas não dávamos importância: o mundo é um só.

Nada que acontece numa borda, deixa de refletir do outro lado do rio. Nossas ações são todas entrelaçadas, como uma grande teia que vai se estendendo infinitamente, e abraçando todo o globo.

As fronteiras, são desenhos e limites que o homem definiu, e o planeta hoje está nos mostrando o quanto inocentes e prepotentes fomos até agora. Um vírus microscópico, colocou abaixo todos esses obstáculos imaginários que criamos para demostrar poder, dividir a humanidade, provar, não sei bem a quem, que uns são superiores aos outros.

Para ele, não há raça, credo, posição social. Não importa em que parte do planeta estamos, nem como lidamos com as restrições.

Acredito que sua missão era mostrar ao mundo que temos diferenças, mas que somos iguais.

E essa igualdade é o que vale.

Somos humanos, antes de qualquer outro atributo

Ao visitar o parque das tulipas, que ilustra esse post, mais uma vez me emocionei com a capacidade da vida de nos surpreender, com o milagre dos ciclos da natureza que não param de mostrar seus sinais, independente de vírus, de confinamento, da política mundial.

Das lições que vou levar de 2020, da era do coronavírus, a capacidade de olhar e valorizar os pequenos grandes detalhes da vida, acho que será a mais marcante.

Estão voltando as flores.

E com elas a esperança, as cores, a leveza da vida que segue.

Afinal, a primavera não sabia…

Não sabia de vírus, de quarentenas, das nossas aflições. Como crianças inocentes das artimanhas da humanidade, simplesmente iniciou seu ciclo, dando vazão ao seu instinto mágico de nos encantar com sua beleza

Esse vídeo e seu poema, não foram feitos por mim, mas exprimem exatamente o que eu queria escrever depois de andar entre as flores, nesse início de primavera, pós quarentena coronavírus.

Assistam, se emocionem e deixem fluir a esperança no coração.

2020 já está na história da humanidade.

Tudo vai passar!

6 pensamentos sobre “Reflexões de uma época de crise

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