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Mais histórias de Hospital.

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Os avós no corredor com o soro e o bebê!

Trabalho como voluntária numa instituição que custeia cirurgias para bebes órfãos, com distúrbios neurológicos e gastro-intestinais. As cirurgias são realizadas num hospital infantil imenso, dizem que um dos melhores de Shanghai. Então desde março de 2009, passei a conviver semanalmente com a realidade de um hospital chinês, pois além das pessoas que trabalham e/ou ajudam a “Baobei”, nunca vi outros ocidentais por lá!

No começo ficava um pouco assustada, mas agora já me acostumei e acabo até achando graça de algumas coisas. De tudo que vi, o que me chamou mais atenção foi o comportamento dos familiares. Porque são crianças, então tem que ter acompanhante. Mas a definição de acompanhante aqui, acho que difere um pouco da nossa. Para começar são OS acompanhanteS, sim porque vai o pai e a mãe, mas quem cria as crianças aqui na China são os avós paternos, então eles vão também. Acho que seria para fazer um revezamento, mas na realidade este é de quem vai dormir na cadeira do acompanhante, porque os demais ficam perambulando pelo quarto. Já vi, um pai que milagrosamente estava sozinho com o filho de uns 8 anos, colocar o menino doente sentado na cadeira e deitar na cama para sua merecida soneca vespertina.

Na hora das refeições então, aí é uma festa. Vão abrindo aquele monte de marmitinhas cheias de coisas estranhas, ou abrem os copos de noodle e começam a chupar o macarrão em coro… um horror! Sem falar do cheiro, por que eu até gosto da comida chinesa, mas o cheiro é de lascar. Quando estamos num quarto de 2 camas, ainda dá para encarar, se temos dois bebes internados e é possível colocar os dois no mesmo quarto é melhor ainda! O duro mesmo é pegar os quartos de 6 ou 10 camas.

Primeiro porque a quantidade de tudo isso que citei é multiplicada pelo numero de camas e segundo porque viramos atração no andar. As próprias enfermeiras, principalmente as novatas, vão várias vezes ao quarto só para ficar olhando para nós. Se estamos em mais de uma pessoa e conversando, aí é que a coisa ferve. Eles fazem ‘rodinha’ em volta da gente e riem… por que eles sempre riem, de tudo! E ainda temos que tentar entender, porque uma coisa que chinês não tem é senso de privacidade. Quando estamos nos quarto menores, vamos lá e fechamos a porta, fazendo que nem percebemos o numero de chineses apinhados na porta.

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Se não tem cadeira, vai com a cama mesmo…

Um dia meu marido me ligou e fui ao corredor para falar com ele. Passou um homem, segurando o soro do filho. Quando percebeu que não estava falando a língua dele, fez meia volta e parou na frente, ou melhor grudou em mim e ficou me olhando e meio que tentando repetir os sons que eu emitia. E não esqueçam do menino, com o soro na veia ao lado, observando. Mas isso foi muito no inicio, e não sabia direito o que fazer. Hoje eu já ia falar bem duro com ele, misturando a meia dúzia de palavras em mandarim que sei, com outra língua qualquer, já que eles não entendem mesmo, e o cara ia sair de perto.

Outra vez recebemos uma voluntária alemã (que por natureza, são os perfeitos dos perfeitos, afinal naquele país tudo funciona) e ainda por cima enfermeira. Bom, ela desistiu depois de um mês. Não se conformava com a falta de procedimentos de higiene e de visitas, da maneira como o hospital funciona em relação às regras, que nem sei se existem. Enfim, queria que tivéssemos uma roupa especial para visitar os bebes, que as ayis (são as chinesas que contratamos como acompanhante de cada bebe internado), tivessem um procedimento padrão e extremamente rígido e controlado. Bom, esquece… Tem coisas aqui que se você não releva, você não vive. E acho que as crianças chinesas já nascem com imunidade e anticorpos muito acima da média mundial. Senão elas não sobreviveriam, com certeza!

E assim vai… acho que poderia escrever páginas e páginas à respeito. Se tem que dormir, eles dormem em qualquer lugar; se não tem maca, nem cadeira para sair com a criança, leva-se a cama para fora; se o pai quer fumar e a criança não pode ficar sozinha, cata o tubo de soro e vamos ao jardim… E é algo que vai além do controle ou da possibilidade de tentar controlar. Vale um parênteses: esse é um hospital publico, apesar de todos terem que pagar algo para estar lá, e tem muita gente que vem do interior, de locais onde não há acesso aos bons hospitais. E isso, sem sombra de dúvidas, é um dos motivos dessas coisas serem tão visíveis, tão chinesas!

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Reparem que o menino está com um plástico na cabeça para proteger da chuva, e o avô segurando o soro acima da cabeça. Cuidado com o doente é fundamental! 🙂

Se quiserem conhecer a Baobei Foundation, acessem http://www.baobeifoundation.org.

Baobao é bebê.

Baobei é bebê ou criança preciosa.

E nosso slogan é ‘Precious child… Precious life.’ – Preciosa criança… Preciosa vida.

Zái Jián!

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