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One Belt, One Road – mais um audacioso projeto chinês

Quem me acompanha aqui no blog ou nas redes sociais há algum tempo, pode notar o quanto a China avançou em todos os sentidos nesses 15 anos que estamos por aqui.

Do longínquo ano de 2004, onde tínhamos que trazer na mala coisas básicas como pasta de dente, fio dental e desodorante, até os dias atuais, onde a China se tornou o paraíso do consumo e da oferta de marcas mundiais de luxo ou não, muita coisa mudou e deixou o mundo boquiaberto. Aqui 15 anos são quase uma vida inteira, tamanha é a rapidez com que as coisas acontecem.

Ainda hoje existem pessoas que chegam com aquela visão da China (que ainda está no imaginário popular de muitos ocidentais) onde tudo era precário, mal feito, barato e sem qualidade. Nada disso existe mais, acreditem, na maior parte do País do Meio.

E em meio a toda essa enxurrada de tecnologia, desenvolvimento e consumo, o presidente Xi Jinping, lançou em 2013, mais um projeto impactante, audacioso: o de conectar Ásia, África e Europa.  Iniciativa que se transformou em um amplo slogan para descrever quase todos os aspectos do envolvimento chinês no exterior.

E, sem sombra de duvidas, , irá atingir seus objetivos dentro do prazo estipulado, 2049 – quando a República Popular da China completará 100 anos. Porque se há uma coisa que funciona aqui nesse país, é algo simples (apesar de distante da realidade brasileira) chamado planejamento.

One Belt, One Road (OBOR)

Podemos resumir o projeto como a Rota da Seda do século XXI, restaurando a antiga rota que ligava a Ásia a Europa e ampliando seus limites, composta por um “cinto” (belt) de corredores terrestres e uma “estrada” (road) de rotas marítimas. O “cinto”, que é basicamente terrestre, vai conectar a China à Ásia Central, Europa Oriental e Europa Ocidental. A “Estrada”, que é baseada no mar e levará a costa sul da China ao Mediterrâneo, África, Sudeste Asiático e Ásia Central.

A tradução para o português fica meio estranha, que seria “um cinto, uma estrada”, então prefiro continuar com o nome em inglês e sua sigla (OBOR), que é o que está rodando o mundo. O nome em mandarim é o mesmo: 一带一路 (Yīdài, Yīlù).

O projeto tem o objetivo de melhorar a conectividade e a cooperação entre vários países espalhados pelos continentes da Ásia, África e Europa. Chamado pelas autoridades chinesas de “O Projeto do Século”, o OBOR abrange cerca de 78 países, que representam metade da população mundial e um quarto do PIB global.

Também chamado de Belt and Road Initiative (BRI), o projeto envolve além da construção de rodovias, ferrovias e portos marítimos, a criação de redes de energia, oleodutos, gasodutos e projetos de infraestrutura necessários para que a rede se conecte e funcione.

A iniciativa do OBOR tem um custo estimado em alguns (muitos) trilhões de dólares. Um grosso investimento da China, mas que tem altos ganhos também, já que as empresas chinesas estão trabalhando em praticamente todos os países envolvidos no projeto.

https://en.wikipedia.org/wiki/Belt_and_Road_Initiative#/media/File:One-belt-one-road.svg

As rotas do projeto

1. A Nova Ponte Terrestre da Eurásia, que liga a China Ocidental à Rússia Ocidental

2. Corredor China-Mongólia-Rússia, que conecta o norte da China ao leste da Rússia via Mongólia;

3. Corredor China-Ásia Central-Ásia Ocidental, que conecta a China Ocidental à Turquia via Ásia Central e Ocidental;

4. Corredor Península China-Indochina, que conecta o sul da China a Cingapura via Indochina;

5. Corredor China-Paquistão, que conecta o sul da China ocidental através do Paquistão às rotas marítimas da Arábia;

6. Corredor Bangladesh-China-Índia-Mianmar, que conecta o sul da China à Índia via Bangladesh e Mianmar.

Além disso, a Rota da Seda marítima conecta a costa da China ao Mediterrâneo via Cingapura-Malásia, Oceano Índico, Mar da Arábia e Estreito de Ormuz.

Onde a China vai chegar?

Sinceramente não sei, mas cada coisa que leio, cada dia que vivo nesse país, que presencio todas as mudanças tão palpáveis, tenho que certeza que irão muito longe.

As vezes encontro pessoas que me dizem que conhecem a China. Minha pergunta é certeira: em que ano foi sua visita? Se a resposta for mais de 3 ou 4 anos, já aviso que pode voltar, pois a China que conheceu quase não existe mais.

Pode parecer exagero, mas quem está aqui há tantos anos quanto eu, pode testemunhar a veracidade dessa informação. Aqui tudo é rápido, em constante transformação e, como já escrevi acima, com um planejamento cuidadosamente elaborado e cumprido.

Deixo aqui um dos vídeos que assisti sobre esse projeto, mas tem muitos para quem tiver curiosidade e interesse no assunto.

“Deixem a China dormir, porque, quando ela acordar, o mundo inteiro tremerá! “, já disse, profeticamente, Napoleão no inicio do século 19 (1816, me parece).

Então tá, não é? O que mais temos a dizer?

Zài Jián!

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