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Viver pelo mundo – o eterno adaptar-se

Desde que comecei a escrever o blog, e também através dos textos que faço pelo ‘Brasileiras pelo mundo’, sinto que cada vez tem mais pessoas querendo viver ‘abroad’, tentando arrumar um meio de se aventurar pelo mundo, seja nos EUA ou na China… O que vejo são pessoas buscando novos horizontes, novos caminhos, tentando reescrever suas histórias.

Mas uma coisa as vezes me deixa intrigada. Será que todos que resolvem desbravar o mundo sabem exatamente de todas as conseqüências, de todos os contras ( porque para os prós, todos têm a lista na ponta da língua… E não são poucos!) que isso acarreta na sua vida?

No Brasil, alimentamos um pouco a ilusão de que ‘lá fora’ tudo é melhor, mais glamouroso, mais fácil, mais cool e divertido… Só que isso é uma fantasia.

Viver fora do seu país, e até da sua cidade, é uma aventura sem igual. É ter que ter jogo de cintura para lidar com as situações mais inusitadas. É buscar forças onde muitas vezes nem sabíamos que poderíamos encontrar. É se adaptar ao novo todos, vejam bem: todos, os dias!

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Não há zona de conforto, por mais que possamos ter a impressão que ela exista. De repente, quando estamos bem tranquilos, temos que encarar uma nova mudança de casa, de trabalho, de cidade, de pais… Assim, muitas vezes sem estar nos nossos planos.

E as relações pessoais, então? Essa é a parte mais dolorida, mais difícil é dura dessa mudança. Dessa montanha russa de emoções que é a vida de expatriado, de quem decide viver em outro porto…

A família está longe, os amigos de infância e escola também. A vizinhança não é mais a mesma…e ai? O que nos resta são os novos amigos que vamos conquistando pelo caminho. Amigos que se tornam nossa família expatriada, nosso ombro, nosso suporte para dividir as alegrias e dificuldades do dia a dia. Só que um dia, ou nós ou eles, também se vão…

Aí começamos de novo, porque para cada um que vai, chegam outros… É tudo recomeça …

O lado bom é que para alguns, mais que especiais, teremos sempre um vínculo, aquele cordão invisível, que nos liga independente da distância. A família escolhida em terras desconhecidas. A dificuldade em comum faz os laços se tornarem fortes demais para se romperem com uma simples mudança de endereço. Garanto a vocês que isso é uma das maiores alegrias que trago comigo.

Mas, por outro lado, essa conquista e perda de novos e velhos amigos é cansativa, desgastante e emocionalmente um buraco sem fim…

Manter sempre a boa expectativa, o bom humor, brincar com o perigo e com as dificuldades de viver no exterior não é para qualquer um.

Então se você está pensando em mudar, para qualquer lugar do mundo, principalmente onde não terá sua língua materna como algo em comum, ponha na balança o equilíbrio emocional que isso vai despender.

Não estou desestimulando ninguém com essas linhas… Muito pelo contrário. Mas só alertando que toda a escolha tem seu preço, a moeda sempre tem dois lados, e nos iludir que sempre viveremos só o lado bom da expatriação é um perigoso caminho.

Tendo os pés no chão, sabendo que dificuldades aparecerão e que temos que estar preparados para elas ( se bem que nunca estamos…rs, mas ao menos sabemos que elas poderão existir) é o primeiro passo para encarar a vida fora do nosso ‘quadrado’.

E outra coisa que já escrevi dezenas de vezes nesse espaço: mente e coração abertos. Afinal, dificuldades temos em todo e qualquer lugar.

A diferença está em quanto você saberá lidar com a situação.

Só para descontrair:

Essas duas figuras mostram (de maneira caricata, claro) o que é fruto da nossa imaginação e o que ocorre de verdade na vida de quem mora fora, em especial na China!rs. Divirtam-se!

china what I do

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Zài Jiàn!

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9 pensamentos sobre “Viver pelo mundo – o eterno adaptar-se

  1. Pingback: Viver pelo mundo – o eterno adaptar-se | Cosmopolitan Girl

  2. Parabéns pelo seu inteligente e sábio texto! Considero você, Christine, uma vencedora pois está sabendo fazer do limão uma boa limonada. Não deve ter sido fácil… Eu não me arriscaria nunca, mesmo que ainda tivesse idade pra isso. Agora, felizmente, já não tenho mais.
    bjs e um bom Natal pra vc e pra sua família
    regin@

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    • Obrigada Regina…
      Mas tive treinamento desde muito pequena… enfrentei mudanças dentro do Brasil. E a volta para minha cidade, já adolescente foi um caos na minha vida emocional… a gente nunca imagina, mas a vida tem seus caminhos, que no momento não entendemos, achamos que estamos sendo ‘injustiçados’ (rs). Aí lá na frente o destino te mostra: tá vendo? Uma coisa é necessária para se enfrentar outra maior… C’est la vie… Beijo grande e obrigada pelo carinho.
      Ainda está firme no propósito de aprender mandarim? hehehe

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      • Sobre o Mandarim, Chris, penso sim, mas para 2015… Este ano já está no fim, então melhor começar no novo ano. Essa ideia é mais por curiosidadee pra pôr os neurônios a funcionar mais um pouco. Vamos ver… bjs

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  3. Oi…. ñ tão longe como vc e muitos outros…aqui no BR mesmo…rsrsrsrs posso provar!!!
    Nos anos 70 senti muito de sair da minha zona de conforto(família, cidade etc) com muita pouca idade( q hj em dia os jovens na maioria ainda nem pensaram, sairem da casa dos pais) com dois filhos pequenos, um marido assoberbado de metas onde teve q iniciar um trabalho do nd e ainda se locomover para outra cidade todos os dias no fim da tarde, chegando altas hrs para fazer uma faculdade, claro q tive q me virar nos trinta pq nem dirigir sabia.
    Pude sentir o mínimo o q é essa diferença, pq mesmo no nosso País as mudanças de estado tb são complicadas, cd qual com seus costumes e ñ se alongando “até o pão nosso de cd dia” tem nome diferente….
    Fizemos amigos sim, mesmo sem muito contato mantemos alguns até hj no coração…
    mas tb sempre de pessoas q vieram de outros lugares, pq os locais ñ eram tão acessíveis assim, estou falando de Brasil e tb ñ querendo tirar a ilusão de ngm, pensem bastante o q terão q enfrentar…rsrsrs
    Beijusssssssssss
    PS: Há mais de 20 anos moro num outro estado(q ñ é o meu, nem o q morei) e ñ senti tanto, mas o primeiro lugar q moramos foi sem dúvida o q me deu chance de estar preparada p esta fase…continuando me adaptar “aos locais” é ainda um desafio….rsrsrs,
    mas amo esta cidade quase tanto qto a minha.

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    • É isso mesmo… uma vez escrevi isso também: o Brasil é tão grande e tão cheio de diferenças, que às vezes mudar para outro estado pode ser uma aventura e tanto…rs
      Mas essa foi vencida… e num tempo em que até para telefonar para casa era complicado! Aprendizado para a vida! =]
      Beijo

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  4. oi!
    bom dia por aqui! agora chove, mas daquele jeito pinga pinga…….que molha tudo e não passa! Tudo úmido e grudento e caloooooooooooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!
    rsrsrsrsrsrsr! gostei do post e, admiro quem tem coragem de se aventurar! acho vcs incríveis! beijo grande pra vc e familia!

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