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Adaptação do corpo e do cérebro…

Ando sumida, eu sei… mas final de ano é loucura em qualquer lugar, mesmo na China! Só que aqui tem um fator a mais para deixar tudo mais complicado: o ano letivo que começa depois do meio do ano.

 Sim, estamos acima da linha do Equador (agora estou do lado de cima do Equador… isso é para quem tem mais de 40 anos e conhece a musica do Ney Matogrosso…).

Por causa dessa posição geográfica, quando o Brasil está na primavera, estamos no outono. E agora vocês estão curtindo um calorzinho gostoso e nós começando o processo de resfriamento. A vantagem é que aqui Papai Noel não sofre. Muito pelo contrário, até agradece as roupas felpudas e pesadas que tem que usar.

 Mas ai, quando vemos estamos em setembro e é quando a vida começa entrar na rotina, as aulas começam, as pessoas voltam de viagem, porque as férias de verão começam em meados de junho e terminam no final de agosto. Só que setembro, outubro, novembro…pronto! Acabou o nosso ano… porque para o chinês está tudo certo. Não celebram natal e o ano deles só termina quando a lua estiver afim (em 2013, 9 de fevereiro).

 E mais uma vez o estrangeiro nas Terras de Mao tem que enfrentar um ano truncado e cheio de feriados, porque tentamos continuar respeitando os nossos, ao menos os universais, e ainda temos que usufruir dos deles. Tudo bem, vocês devem estar pensando: mas ela tá reclamando do quê? Mas é demais mesmo… e ai os nossos feriados ficam meio confusos, pois como meu filho estuda numa Universidade chinesa, vai ter prova no dia 24 de dezembro. E dia 2 de janeiro também. Ou seja não dá nem para dar uma escapadinha e aproveitar o feriado ocidental para conhecer a China, já que quando é feriado Chinês é humanamente impossível se aventurar.

Nós brasileiros e latinos de um modo geral, sofremos mais ainda porque além dessas coisas que citei, ainda tem a mudança de clima, de fuso e de calendário escolar. Coisas que o europeu e o americano não tem nenhum tipo de problema.

 Fora que é estranho para nós mudar os conceito estabelecidos desde sempre, como datas e estações do ano. Meu aniversário é em agosto, então nasci no inverno. Mas aqui é pleno verão, do tipo janeiro… É muito estranha a sensação. Outra coisa é quando os amigos falam (ai são os estrangeiros mesmo, que tem o mesmo calendário escolar): para que ano seu filho vai no ano que vem? Ai no começo, eu pensava… ano que vem até junho ele estará no 10° ano e depois de agosto no 11° ano. Mas não é isso… o ano que vem é agosto. Ano escolar ela se referia. E pior, que eles não tem o hábito de falar ‘ano letivo’ ou ano escolar.

 Parece uma besteira, mas no dia a dia faz uma confusão na cabeça… tem as palavras usadas em inglês e os termos que também nos confundem: ‘push’ em inglês é ‘empurrar’ e ‘pull’ é puxar. Mas não tem jeito… não há uma vez que eu não entre numa porta onde está escrito ‘push’, sei que tenho que empurrar, mas o meu pensamento é mais lento que o piloto automático do meu cérebro! E lá estou eu pagando o mico de puxar a porta que é para empurrar. Outra coisa que me deixou maluca e tive que educar meu cérebro para assimilar é a questão do tempo futuro. Se falamos na ‘próxima sexta feira vou na sua casa’, como estou na quarta feira, entendemos que é depois de amanhã, certo? Sim, está certo no Brasil… Aqui na China e, pelo que pude ver, no resto do mundo, se falo ’próxima sexta-feira’ estarei me referindo a semana que vem, porque apesar de ainda não ter chego, já estamos nessa semana e então tem que se usar ‘esta sexta-feira’. E com dias do mês é a mesma coisa: ‘no próximo dia 22 é aniversário do meu filho’, o que você entende se ainda estamos no dia 15? Só que aqui eles entendem 22 de dezembro, porque o correto seria ‘neste dia 22’, já que já estamos em novembro. Gente, é muita informação para um cérebro assimilar… e ainda tenho que aprender o mandarim?!?

 Mas esse conceito de data ainda é algo que temos em outros locais do mundo. Agora o que eu não consigo ainda entender, que minha lógica não conseguiu alcançar, é a relação do chinês com os números, principalmente os milhares e pior : envolvem dinheiro…

 Quando nós queremos nos referir a 1,000 usamos os números completos, escrevemos a palavra ‘mil’ ou podemos usar o K. Sempre um número seguido de K é mil (12K=12.000, 12,4K=12.400).

Mas o chinês usa 4 digitos depois do numero que apareceu escrito. Isso significa basicamente que se você vai numa imobiliária para comprar um apartamento e está escrito que ele custa RMB 80.0 deduzimos que seria 80 mil remembies, certo? ERRADO!

 80.0 = 800.000 o valor é oitocentos mil remembies.

 Teoricamente esse código é utilizado na linguagem escrita somente. Mas o pior é que até os chineses se confundem na hora de interpretar o número. Outro dia numa reunião com a controler da empresa do meu marido, perguntaram quantos habitantes havia na cidade. Rapidamente a moça foi à internet e achou o número 300.08. Para nós seria simplesmente 300 mil e 80 habitantes. Mas sabemos que isso não é o numero de habitantes nem de uma vila chinesa, o que dirá da população de uma cidade industrial. Só que a moça também ficou confusa, pois sabia que não era mil, mas não conseguia colocar direito os zeros suficientes à direita. No final a conclusão dela mesma é que o numero de habitantes de Jiaxing é de 300.080.000 (trezentos milhões e oitenta mil).

Nem preciso contar para vocês que lá nos longínquos 2004, Mario assinou uma ordem de compras que estava escrito 10,0, achando que havia feito um negócio da China, e quando veio a fatura….uiiiiiii.RMB 1.000.000 era o valor real.

 Não é para fazer os miolos ferverem???

 Zái Jián!

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