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Filhos com raízes e asas

A maternidade é algo estranho. Muitas vezes ela nos faz esquecer que somos filhas também e que deixamos a casa dos nossos pais um dia, simplesmente porque precisávamos seguir nosso caminho.

O que esquecemos quando nos tornamos mãe é que um dia nossos filhos vão seguir a mesma trajetória, que eles também têm conquistas a fazer e um mundo a desbravar.

Vocês podem estar pensando: mas isso é a lei da vida. Pois é, teoricamente sim, mas na pratica vejo muitas mulheres/mães sofrendo por antecipação com a possibilidade de os filhos saírem de casa.

E a coisa fica um pouco mais complicada quando pensamos em mães expatriadas.

Porque a historia é sempre linda quando resolvemos ganhar o mundo (deixando nossas mães) com nossos filhos pequenos, que nos seguem sem nem pestanejar, mesmo os mais grandinhos que se ‘revoltam’ com a mudança de rotina, escola e amizades. No final onde formos eles vão, porque, são nossos filhos, quase propriedade.

E de mudança em mudança, conheço varias famílias que moraram em diversos países. As crianças vão crescendo bilíngues, trilingues, com uma bagagem cultural invejável, e um conceito de mundo muito diferente do que tínhamos na nossa infância.

Os amigos estão espalhados pelos quatro cantos do planeta, a língua materna nem sempre é a usada no dia a dia, e as fronteiras praticamente não existem.

Nunca esqueço quando meu filho mais novo, no alto dos seus 16 anos me perguntou se “no caminho para o Brasil, nas ferias de verão, ele poderia dar uma passadinha na Itália para ficar uns dias na casa do amigo da escola”. Tipo assim: no caminho de São Paulo a Santos, dou uma parada no Guarujá!

O ponto disso tudo é que eles crescem, acostumados com o ir e vir, e com o conceito literal de que o mundo é pequeno. E assim, podem voar para muito longe, e nem sempre perto de nós.

Antes de alguém dizer: de jeito nenhum, meu filho jamais ficará longe de mim, lembrem-se que, no caso de famílias que optam por viver pelo mundo, os filhos crescem dentro de um avião, que transitam pelas culturas e idiomas com desenvoltura, muito provavelmente é nesse cenário que vão se estabilizar na vida adulta.

Meus filhos cresceram e cada um tomou seu caminho. Nos tornamos uma família do mundo. Eles estudaram e tomaram seu rumo profissional. Hoje o mais novo vive na Bósnia, mas já morou nas Filipinas, e sabe-se lá para onde vai daqui alguns meses. O mais velho está no sul da China (ainda que mais perto, está tocando a sua vida). E ainda tenho duas enteadas no Brasil.

Nosso tempo na China está terminando, meu marido esta na porta da aposentadoria, e sabemos que seguiremos só nós dois.

A mensagem que quero deixar para as mães que ainda estão na fase do apego, que pensem que um dia também deixaram suas mães. Digam isso para vocês mesmo todos os dias, é a lei da vida. Não vou dizer que isso não vai fazer o coração ficar apertado na hora do “até breve”, mas ao menos nos prepara para o futuro.

E, o principal, criem seus filhos com raízes e asas. Esse é o maior ensinamento que recebi na vida. Eles precisam ter asas para voar, e raízes para voltar. Uma frase que escuto desde que era estudante de pedagogia, e na época não imaginava que faria tanto sentido para minha vida muitos anos depois, como mãe orgulhosa, de adultos que voaram, mas sempre me lembram que estão aqui, bem próximos as suas raízes, para o que precisar.

Quando nos tornamos mães, temos que ter consciência de que somos a base, o porto seguro, mas também a que levanta os braços e solta seu filho para conquistar o mundo, como já fizemos um dia!

Coletânea Mães

Esse, bem como outros 91 artigos sobre maternidade, fazem parte do livro: Coletânea Mães , organizado por Farah Serra, que está disponível para venda nesse link.

São histórias de mulheres que saíram de casa, que ficaram, que foram mães antes ou depois do tempo (se é que existe tempo certo para isso), que optaram por não ser ou não puderam escolher. Histórias de vida, de expectativas, lutas, vitórias e perdas também. Um livro que transborda emoções e histórias cheias de amor.

Vale conferir o instagram @coletaneamaes e conhecer um pouco de cada uma dessas mulheres que abriram seu coração e dividem suas experiências na maternidade.

5 pensamentos sobre “Filhos com raízes e asas

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