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Que o Oriente me oriente – livro

Todos sabem que a leitura é um dos meus hobbies prediletos. Adoro romances históricos ou que me transportem a algum lugar que gostaria muito de ir.

E conversando com um amigo sobre as lives de comemoração aos 10 anos de blog, ele me apresentou o livro da Mariana Freitas, “Que o Oriente me oriente”. Na realidade ele fez mais: me enviou o livro por kuiadi (delivery chinês) e eu comecei a ler no dia que chegou. Se pudesse teria lido inteiro numa sentada só, mas as vezes o dever nos chama, então levei 3 dias.

O que dizer desse livro?

Maravilhoso, simples, profundo, com uma riqueza de detalhes e reflexões pontuais que já me deixaram com vontade de reler assim que fechei a contracapa.

Mariana morou na China de 2011 a 2015, então conheceu essa cidade e pôde ambientar a aventura de Jade, em busca da sua identidade, por locais de Shanghai que só quem conhece pode descrever. Algumas coisas já mudaram um pouco, afinal esse país não para de crescer e é impossível a gente acompanhar se não está aqui, mas eu me vi andando pelas ruelas, participando das conversas sobre a cultura e rindo do impacto que isso causa nos viajantes que chegam meio desavisados por aqui.

Outro ponto que me encantou no livro, foi a descrição da cultura, eu já escrevi aqui no blog sobre quase todos os tópicos abordados por Mariana, como a feira de casamentos por exemplo, mas ler isso dentro de um contexto, de uma história, nos transporta para algo mais real, que faz mais sentido.

E a viagem de trem para o Tibete, então? Viagem tão sonhada que não fiz e nem sei se terei tempo de fazer. Minha vontade era de me tele-transportar para lá!

Além disso, ela toca num assunto bem interessante: Jade, a personagem principal, mostra sua fragilidade em ser filha de chineses que migraram para o Brasil e, ao mesmo tempo, ser brasileira de nascimento. Se por um lado ela tem certeza e orgulho de suas origens e dos ensinamentos que seus pais passaram a ela, de outro ficava na duvida sobre sua identidade brasileira. Acho que isso acaba sendo um confronto interno de nascer e viver entre duas culturas tão distantes.

Claro que cada caso é um caso e conheço muitos brasileiros filhos de chineses ou japoneses que não tem esse tipo de questionamento (ou não deixam ele transparecer). Mesmo assim, achei bem interessante essa vertente do romance.

Como nasceu essa história

Claro que tive que perguntar a Mariana como nasceu esse romance, e ela me respondeu:

A ideia do livro nasceu logo depois do fim do meu doutorado em comunicação, em Xangai. Na minha pesquisa final sobre a imagem da China no Brasil, descobri que um dos motivos das pessoas terem uma visão tão estereotipada do país, era a falta de acesso à filmes, livros e revistas com a temática oriental. Decidi então ultrapassar os muros da universidade e criar uma estória que tivesse mais chance de chegar ao grande público, porque, como estrangeira, queria registrar a experiência incrível que é viver na China. Tudo isso sem que o livro fosse uma biografia. Resolvi então, me jogar no desafio de escrever um romance, um gênero, até então, inédito pra mim.

Antes de deixar a China, resolvi visitar o Tibete, um lugar que sempre sonhei em conhecer. A viagem de trem de Xangai à Lhasa dura dois dias e foi a inspiração final que eu precisava pra escrever “que o Oriente me oriente” – uma estória de superação de um luto, através da magia dos encontros e da descoberta da fé.

Do início do livro até sua publicação, foram quase 4 anos de pesquisa, escrita e revisão.

Onde comprar

Segue aqui o release do livro que está a venda na Amazon:

Quando a jovem Jade perde a mãe para um câncer, ela se vê sozinha e vulnerável. Filha única de imigrantes asiáticos em São Paulo, Jade, que já era órfã de pai, é obrigada a se reinventar a partir da dor. Inicia então uma jornada do outro lado do mundo na tentativa de curar o luto, escapar da solidão e descobrir um pouco sobre seus ancestrais e sobre ela mesma. “Que o Oriente me oriente” conta a saga de Jade desde sua partida do Brasil até a chegada ao Tibete de trem, a partir de Xangai. O próprio trem é uma metáfora sobre as contradições da China moderna e a vulnerabilidade da vida, manifestada através de mistérios protagonizados por quem cruza o seu caminho.

Sobre Mariana

Mariana Freitas nasceu em Brasília em 1982. É doutora em Comunicação Intercultural pela Universidade Fudan, em Shanghai. Explorando mundos desde que saiu da sua cidade natal, morou de norte a sul do Brasil e também nos Estados Unidos, China e atualmente vive na França. Ela trabalha como jornalista, professora universitária e pesquisadora acadêmica. É também professora de idiomas e, como consta na sua biografia na capa do livro, é fotografa profissionalmente amadora. “que o Oriente me oriente” foi seu primeiro romance.

Bom, gente! Se vocês gostam de ler, gostam de cultura chinesa e das minhas dicas, não deixem passar essa oportunidade. Vale muito à pena!

Zài Jián!

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