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Livro: Vale do Encantamento

Já fazia algum tempo que eu não recomendava um livro aqui no blog. E para quem me acompanha, sabe que amo ler e aprendi muito do que sei sobre a China, através da literatura. Romances, livros mais técnicos, ficção ou baseados em histórias reais, não importava. Me dedicar a leitura desses livros, foi como montar um grande quebra cabeça: juntando um fato daqui outro dali, percebendo que faziam sentido (ou nem tanto) e aprendendo um pouco a cada leitura finalizada.

Quando fui ao Brasil em abril, uma amiga muito querida, ex-shanghainesa, como costumamos brincar com quem já viveu aqui, e que sabe da minha paixão por livros sobre a China, me presenteou com o Vale do Encantamento – a saga de três gerações de mulheres, de Amy Tan.

De cara, já me apaixonei pela capa (sim, sou a maluca que, de vez em sempre quando, compra livros pela capa), meio caminho andado! Outra coisa, um livro com sustância: quase 600 páginas. Estava na cara que só poderia ser bom.

Somente depois de perceber esses detalhes que fui ler a resenha da contracapa, e aí já queria começar a ler no avião.

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Vale do Encantamento

O livro relata ao longo de 50 anos, a saga de três gerações de mulheres, ligadas pelos laços de sangue e por um quadro chamado Vale do Encantamento.

A história é narrada por Violet, filha de uma cortesã americana que se mudou para Shanghai quando estava grávida, em busca de viver sua história de amor com um pintor chinês que conheceu na América.

Na grande confusão de identidade de Violet, entre se assumir americana ou chinesa, passa muitas surpresas e situações delicadas, que a fazem chegar ao desespero. Mas a vida dá muitas voltas e décadas mais tarde, um encontro entre a mãe e a filha de Violet, desvendam os segredos, as mágoas e o desenrolar dessa relação familiar tão conturbada.

Um romance forte, intenso e mostra como as marcas de uma vida podem passar de uma geração a outra e deixar cicatrizes tão profundas.

O meu encantamento

Para mim, dentro dessa ânsia de conhecer e reconhecer a China, sua cultura e história, os pequenos detalhes descritos no livro literalmente me encantaram.

O enredo praticamente todo se passa na Shanghai do final do Império até a Segunda Guerra Mundial, e mostra o quanto a herança cultural chinesa de séculos dita as regras de comportamento social e familiar até os dias de hoje.

Se passaram mais de 100 anos do inicio da trama até os dias atuais, mas foi fácil identificar que muitas das regras sociais, comportamentos e maneiras de pensar do final do século 19, ainda estão presentes no dia a dia dos chineses do século 21.

Para quem conhece um pouco da realidade chinesa, o romance foi muito mais que a saga dessas mulheres. Mostra o racismo, a invasão estrangeira e a força da cultura de um país que poucos entendem o verdadeiro significado de cada um dentro dessa sociedade.

Uma das partes que mais me marcou no livro, e que me remeteu imediatamente a tantas discussões que já presenciei (e participei) entre os estrangeiros que vivem hoje na China, foi quando um americano que abrigou Lulu, mãe de Violet, a faz refletir sobre achar que os chineses têm que se moldar ás regras e costumes do ocidente:

“…vou contar o que você precisa saber sobre os chineses…: não dá para mudar milhares de anos de tradições chinesas… Adotamos nossas próprias leis no encrave internacional…, mas nenhuma lei pode ser usada para impedir a perspectiva filosófica deles.”

E ainda ressalta que todos os estrangeiros que chegam na China, acham que podem mudar/educar os chineses ao seu estilo. Os que não conseguem conviver com essa realidade, ou vão embora ou seguem reclamando (fato).

E os que resolvem fazer dessa cidade seu lar, que ele denomina de Shanghailanders (achei demais essa definição), adotam uma atitude chinesa sobre a maioria das coisas, vivemos e deixamos viver…”

Esse trecho do livro se encaixa muito bem naquela frase: os entendedores entenderão!

Cem anos se passaram e os chineses continuam com suas tradições milenares e os estrangeiros continuam achando que tem o direito de mudar tudo isso.

Sobre a autora

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Amy Tan nasceu em Oakland, Califórnia (EUA), filha de uma família de imigrantes chineses.

Graduou-se em linguística pela Universidade de San Jose (CA). Foi colaboradora de inúmeras revistas americanas e escreveu mais de cinco livros, entre eles A ilha do restaurador de ossos, Os Cem Sentidos Secretos e O Clube da Felicidade e da Sorte, best-seller do jornal The New York Times que ganhou uma versão para o cinema em 1993, coproduzida por ela, e foi indicado ao Bafta, o prêmio máximo do cinema britânico.

Todos os livros dela têm alguma relação com a China (o que me deixou bem curiosa).

Livros sobre a China

Se quiser saber sobre outros livros que li sobre a China, clica nesse link.

E se tiver algum que já leu e não está aqui, deixa a dica nos comentários.

Zài Jián!

8 pensamentos sobre “Livro: Vale do Encantamento

  1. Wow wow. Estava com saudades e sentindo falta das suas indicações sobre livros que tem a China como contexto. Você sabe que li praticamente Todos que você indicou né? Rs. Já quero ler esse!

  2. Chris, esse livro apesar das suas quase 600 páginas e seus capítulos longuíssimos, foi uma ótima escolha mesmo. A história de Lulu, Violet e Flora emocionam o leitor. Além disso, foi muito bom entrar em contato com costumes e lugares que, para nós que vivemos aqui, já são tão familiares. Valeu pela dica!
    Resenha excelente, como sempre.
    Beijo

    • OI Daisy,
      Eu amei o livro também.
      Acho que por vivermos aqui, tem todo um sentido diferente, essa leitura.
      Beijo

  3. Adorei a indicação. Comprei meu e-book. Também adoro conhecer mais da China. Sou muito encantada por este país. Na verdade aprendi a gostá-lo exatamente pelas nossas diferenças.

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