China celebra o Dia Internacional da Mulher

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Não sei dizer se é por defesa dos direitos da mulher ou se é mais uma data para incrementar o consumo desenfreado chinês, mas o dia 8 de março aqui é amplamente divulgado e comemorado. Inclusive hoje é meio expediente para as mulheres que trabalham.

Agora uma coisa é certa: o chinês precisa reconhecer a força da mulher nesse país. Cada vez mais mulheres chinesas estão à frente de grandes empresas e constroem fortunas cobiçadas pela maioria dos homens. Elas são perspicazes e, desde sempre, foram uma força de trabalho muito mais efetiva que o homem chinês. Isso pode ser constatado em vários livros da história da China. Mulheres que não paravam de trabalhar mesmo depois de terem dado a luz a um bebê. Isso acontece ainda, principalmente na zona rural do país.

Algumas leis já avançaram no sentido de garantir alguns direitos básicos à mulher como licença gestante, igualdade de direitos para estudo e trabalho etc. Só que ainda há muito resquício do passado cultural da China em relação às mulheres.

O que vejo hoje são os pais de meninas investindo mais na sua formação global, para que elas possam superar as barreiras culturais. E isso de fato, surtiu o efeito desejado: as maiores fortunas chinesas estão nas mãos de mulheres.

Mas isso ainda é muito pouco e acredito que as novas gerações estão mudando a forma de encarar a situação da mulher na China.

E, nas minhas buscas por um pouco mais de informação a respeito, descobri que a China possui uma heroína, chamada de ‘Joanna D’Arc Chinesa’!

Li Jing at Vista Point
Imagem retiradas do website do filme (link ao final do artigo).

Seu nome era Qiu Jin e viveu entre 1875 a 1907. Foi a primeira feminista chinesa, revolucionária e soldado.  Ativista radical dos direitos da mulher, desafiou a tradição ao se tornar líder de um exército revolucionário, lutou contra práticas opressivas, como o encurtamento dos pés ou ‘pés de lotus’ (que você pode conferir nesse post) e exigiu a igualdade de oportunidades para as mulheres. Ela tentou um levante armado contra a corrupta Dinastia Qing , pelo qual foi presa e executada. Por isso tornou-se a primeira mártir do sexo feminino para a China e é celebrada como uma heroína nacional.

Apesar de ser conhecida na China, quase ninguém sabe da sua história no ocidente e dois cineastas de San Francisco, chineses americanos, Rae Chang e Adam Tow produziram o primeiro documentário sobre Qiu Jin, intitulado “Autumm Gem”, baseados em entrevistas, materiais de arquivo e reconstituições dramáticas com base em seus escritos originais.

O objetivo dos cineastas foi reconhecer o papel das mulheres na transição do país para uma nação moderna e divulgar uma figura notável, que continua a servir como uma inspiração para as mulheres chinesas hoje.

Podem conferir um trailer do filme nesse link: http://autumn-gem.com/

“Com todo o meu coração, imploro aos meus duzentos milhões de compatriotas do sexo feminino a assumir a sua responsabilidade como cidadãos. Levantem-se! Levantem-se! Mulheres chinesas, levantem-se!” – Qiu Ji

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Imagem retiradas do website do filme (link ao final do artigo).

妇女节快乐!  

fù-nǚ-jié kuài-lè!

Feliz Dia da Mulher!

Zài Jiàn!

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